terça-feira, 1 de setembro de 2009

A professora

Resisti até onde pude para falar do assunto, mas não deu. Todo mundo só fala nela: a professora Jaqueline, que teve sua “performance” durante um show de pagode filmada e publicada na internet. Perdeu o emprego. Mas quando tudo parecia perdido, a “pró” Jaque se tornou celebridade. Estampou o rosto em todos os telejornais, em rede nacional.

Não estou aqui para julgar a moça. Acho que cada um faz o que quer, diverte-se como quiser, dança o que quiser. Ela teve a privacidade exposta? Com certeza. Mas todos nós estamos expostos nesse mundo maluco que vivemos. Qualquer um pode ter sua imagem registrada em situações constrangedoras através de celulares e mini-câmeras.

Alguém pode dizer que ela subiu no palco porque quis, que sabia que estava sendo filmada por todos os celulares presentes. Mas será que a professora tinha noção da repercussão que o caso ia tomar? Alguém que tenha filmado a professora tinha a intenção de levar esta exposição a esse nível que chegou? O que leva um episódio como esse a uma repercussão tão grande, diante de tantos outros assuntos mais relevantes para a população baiana e brasileira?

Será que falta assunto? Não é o caso. Gripe suína, crise no Senado, obras inacabadas, acidentes e muitas outras mazelas. Não consigo entender o que pauta essa nossa imprensa. Talvez seja a mesma lógica behaviorista que leva ao sucesso de reality shows, como Big Brother e afins. A exposição da vida do outro, simples assim, como forma de distrair as pessoas de suas próprias vidas.

Sei lá. Não quero transformar esse meu blog num espaço filosófico. Só gostaria que cada um pensasse porque somos atraídos por casos como esse, por mais que a gente reprove esse tipo de pauta e ache perda de tempo da imprensa divulgar esse tipo de assunto. Eu mesma estou aqui, escrevendo sobre o assunto (mea culpa)...

3 comentários:

blog da juliana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
blog da juliana disse...

Espiar a vida alheia é do ser humano. Mas no Brasil é um caso sério. Talvez pela falta de perspectiva para a própria vida, nos ocupamos tomando conta da vida alheia. Gente feliz não olha nem pra trás nem pros lados; segue em frente.

Pessoa disse...

Pessoa, o ser humano tem a necessidade de saber do outro. É inerente dele. E não é por questões de fofoca não. É uma outra curisidade. Vai ver vem da sensação de procurar saber que sempre há um em situação pior que a sua. Olha-se muito para as costas do outro, como numa fila indiana, e se esquece de olhar para o próprio umbigo (nesses casos, mais que necessário).