terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Samba de um minuto
Interpretação: Roberta Sá
Devagar
Esquece o tempo lá de fora
Devagar
Esqueça a rima que for cara.
Escute o que vou lhe dizer
Um minuto de sua atenção
Com minha dor não se brinca
Já disse que não
Com minha dor não se brinca
Já disse que não.
Devagar, devagar com o andor
Teu santo é de barro e a fonte secou
Já não tens tanta verdade pra dizer
Nem tão pouco mais maldade pra fazer.
E se a dor é de saudade
E a saudade é de matar
Em meu peito a novidade
Vai enfim me libertar.
Devagar...
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Réquiem para 2008
sábado, 27 de dezembro de 2008
Só uma pequena história de Natal...

Também não confiava nos impostores que ficavam no shopping. Qual a surpresa? Depois dos cinco anos, você acha realmente possível dizer a uma criança que é mesmo o Papai Noel sentado em cada canto da cidade? Que ele usa seus poderes mágicos para se transportar e estar em vários lugares ao mesmo tempo? Uma boa olhadela na barba falsa, na barriga de travesseiro e no “Ho, ho, ho” em diferentes tons para saber que não era a mesma pessoa.
Voltemos. Letra redonda, satisfações sobre notas na escola e bom comportamento com os pais. Achava que realmente merecia a bicicleta que tanto queria. Terminou a carta, pegou um envelope, fechou com um adesivo da Hello Kitty. Pediu ao pai que colocasse no Correio, e que pedisse urgência na entrega, pois a casa do bom velhinho ficava muito longe e sua carta tinha que chegar a tempo.
Os dias se passaram. O grande dia chegou. Vestiu a roupa linda que escolheu com a mãe, no dia anterior. As lojas estavam cheias... será que Papai Noel pega todas essas filas para comprar os presentes e mandar embalar? Será que ele comprava tudo no cartão de crédito, ou levava o dinheiro dentro do grande saco vermelho?? Podia imaginar a cara dele quando chegava a cobrança, a Mamãe Noel gritando, assim como seu pai fazia com a sua mãe, todo mês.
Estava pronta. Comeu depressa, achando que assim o tempo passaria mais rápido. Adorava o vovô, mas ele não poderia deixar a conversa sobre futebol para depois e ir logo embora? O Papai Noel só chegaria depois que a casa estivesse vazia. Desta vez pegaria ele no flagra, já tinha todo o plano. Estava segurando o sono até onde podia. Os últimos convidados estavam se despedindo. Odiava quando a tia gorda apertava sua bochecha, mas desta vez, abriu um grande sorriso, pois significava que a grande hora estava chegando. A casa ficou vazia. Vestiu os pijamas.
Deitou-se na cama e esperou. As pálpebras teimavam, mas não queria dormir. Não podia fechar os olhos, não podia... Quando acordou de manhã, sua bicicleta estava ali, do lado da cama. Como ele fazia aquilo?
Por mais um ano, a magia estava mantida. A infância ainda perduraria por alguns anos.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
A cegueira by Saramago
Acabei de ler o romance de Saramago, “Ensaio sobre a cegueira”. Já vi o filme do Meirelles. Fui contra meus próprios princípios de nunca assistir a um filme baseado em um romance antes de ler a obra original. Fiz o caminho contrário e não me arrependo.
Ter visto o filme tornou o livro ainda mais interessante. Óbvio, o diretor fez uso da licença poética para que a obra adquirisse sentido numa outra linguagem. Seria muita pretensão achar que poderia transpor para a tela toda a densidade inerente a uma narrativa escrita. Palmas para Meirelles, admiro muito mais o seu trabalho por entender essa diferença e não querer ser mais do que a obra original.
Mas vamos ao livro. Nunca tinha lido Saramago. E isso causa estranheza a qualquer leitor, por mais experiência que tenha. Uma amiga minha, que também tinha acabado de ler o livro, já havia comentado da dificuldade de leitura. Mas Cris, a falta de travessões e aspas faz todo sentido! É esta ausência na separação de frases e pensamentos das personagens que dão ao romance o seu ritmo, que levam o leitor a encarar aquela situação não como algo singular a um ou outro personagem... mas algo que desestruturou a humanidade.
O livro me afetou muito mais do que o filme. A descrição das cenas de estupro não chega nem perto do que foi mostrado (ou velado) na telona. O jogo de claro e escuro de Meirelles ameniza a dureza das palavras de Saramago. Não há demérito nisso. Fico a imaginar o asco e as ânsias de vômito que seriam provocadas no meio da sessão... um filme precisa se vender, e para isso, a platéia deve assisti-lo até o fim.
De resto, Meirelles captou a essência da história. Não vou repetir aqui o que já escrevi em outro post.
Virei fã de Saramago. Encerro o texto com a frase na epígrafe do livro:
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Sobre os tontos
Sou uma pessoa cabeça dura, quem me conhece mais de perto sabe. Se eu acho que estou certa, não mudo a minha opinião com facilidade (na verdade, quase nunca mudo de opinião). Mas se eu me vejo equivocada, se cometo uma injustiça ou faço uma bobagem, não hesito em pedir desculpas. Não espero segunda chance do destino.
Existem pessoas, por outro lado, que podem ter infinitas chances de se desculpar, e nem se dão conta. Existem pessoas que parecem ter prazer em fazer aqueles que gostam delas sofrer, simplesmente porque não sabem o que é gostar de alguém. Não sabem o que é ter respeito e compromisso. Agem por instintos baixos, como animais que só enxergam as suas necessidades imediatas, sejam sensoriais, emocionais ou materiais. Atropelam quem está na frente por satisfação imediata e acabam com qualquer futuro ou relação duradoura.
E não estou falando só de relacionamentos amorosos. Quantas pessoas que você chamava de amigas na verdade só estavam do seu lado por suas posses, ou em busca de status? Quantas pessoas você conhece que tiram vantagem da família, usando a compaixão inerente desses laços? E não adianta querer ajudar essas pessoas. Elas não enxergam que têm problemas, não sentem as voltas que o mundo dá, pois não têm noção de equilíbrio. Precisam cair, se esborrachar, se acharem sozinhas, por vezes mais de uma vez.
Pobres almas. São dignas de pena. Precisam crescer pela indiferença alheia. É inútil qualquer palavra de apoio ou repreensão. Não ouvirão. Não nos cabe carregá-las. Precisam tropeçar pelas próprias pernas para aprender e, finalmente, darem conta das voltas do mundo, deixando a tonteira (ou tontice?) de lado.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Textos trocados
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
É o que me interessa
Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o teu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurre em meu ouvido
Só o que me interessa
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa
Adoro essa música. Lenine é um artista genial, e suas composições sempre me fazem refletir. E nesse meu momento egoísta, tô bem no clima dessa música. Só quero o que me interessa. E o que me interessa é estar em paz!
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Conexões
As conexões e os atos descontínuos foram meu norte em nossa conversa. Tudo começou com meu post de alma gêmea. Começamos a debater sobre o assunto e me vi refletindo sobre isso mais uma vez. Na verdade, me questiono se temos almas trigêmeas? Isso até virou piada na boca de um amigo. Ou será que há A alma, mas também existem outras que temos ligações fortes? De onde vem a explicação para que duas pessoas que cresceram separadas, cidades distantes, culturas distintas, vidas diversas pudessem ser tão interligadas? Não falo de uma pessoa apenas. São várias. São muitas.
Não há promiscuidade nisso. Não é uma festona. Apenas identificamos pela energia que nossos corpos emanam que certas pessoas nos carregam positivamente (em alguns casos, chega a ser literal, hehehe). Troca de olhar, de sorrisos, de cumplicidade. Nada ligado há algo fora do eixo amizade. O sentimento pelo outro é forte. Chega a te assustar.
Será que vem de outra vida? De outras vidas? Ou será que começou agora porque o Destino o quis assim? São tantas perguntas. Tantos anseios por respostas. Tanta conectividade.
Ao escrever, olhei por lado e vi um mural com fotos que tenho. Pessoas que me fazem bem. Que quero que estejam comigo, sempre. Se pudesse juntar todo mundo. Ai me lembro de outra amiga, que em uma ligação virou de infância. De duas amizades que começaram do nada e que despertaram ciúmes. Das “mães” que ganhei por este Brasil de ai meu Deus. Dos amigos que estão distantes, mas que, com dois minutos de conversa, parece que não houve afastamento algum.
O bom disso tudo é aguardar as surpresas que virão para as nossas vidas. Que cada pessoa tem o que contribuir no seu tempo, por mais que estejam longe na relação espaço-temporal. Elas fazem parte do seu crescimento. Nós fizemos parte do amadurecimento delas. Afinal, estamos todos conectados.
sábado, 22 de novembro de 2008
Meninas Superpoderosas
Pri, Deb, Sil e Juju
Lu e Zaita
Cris e Alice
Deb e Elen
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Praias e pegadas
Para onde me levarão os meus pés?
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Resposta ao Tempo
Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento
Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há fôlhas no meu coração
É o tempo
Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Virar a página

domingo, 9 de novembro de 2008
Girassol
Uma flor amarela
Como um girassol"
Girassol, Cidade Negra

quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Change we need
Todos esperam dias melhores. Estou torcendo para que eles cheguem mesmo...
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Bye, bye, 2008
Foi um ano de fechamento de ciclos e de recomeços. Ano para colocar pontos finais em histórias que insistiam em ter reticências. Ano de grandes decepções, mas um ano também de muitas lições.
Conheci pessoas muito bacanas, criei novos laços, passei por novas experiências, deparei com sentimentos novos. Foi um ano de descobertas, de ultrapassar limites. Um ano para conhecer os meus limites, acima de tudo, e descobrir meus desejos e vontades. E mais importante, de ter certeza do que eu não quero para a minha vida e fazer escolhas conscientes.
Não me arrependo de nenhuma atitude tomada ou palavra dita. Pedi desculpas quando magoei alguém; não ouvi desculpas quando me magoaram. Aprendi que não se pode exigir de outra pessoa aquilo que ela não pode ser. Que cabe a nós aceitar ou cair fora, antes de cair do precipício. Estive à beira dele, cheguei a me ferir tentando me segurar, e consegui voltar a tempo. E que paisagem bonita eu encontrei neste retorno!
Depressão? Claro, cruzei com ela este ano também. Mas não nos tornamos amigas íntimas. Com toda delicadeza, pedi que se retirasse, pois não havia espaço para ela em minha vida. Tinha mais coisas com as quais me ocupar. Nossa, e como me ocupei.
O trabalho me revigorou este ano. Novas empreitadas, novos desafios. Minha cama sentiu muita falta de mim este ano. Por vezes consegui dormir melhor num hotel do que em casa. Mas valeu a pena cada ausência. Apesar da saudade das pessoas queridas, pude crescer profissionalmente e obter reconhecimento de onde nem esperava.
Este também foi o ano dos amigos. Fiz novos “amigos de infância”. Reforcei laços que a rotina por pouco não desfez. Recebi deles o conforto que precisava para continuar a batalha. Ouvi sermões, recebi carinho, partilhei momentos alegres. Vi também algumas pessoas queridas irem embora, pois precisavam seguir suas vidas em outros lugares, longe de Salvador. Ficou a saudade e a torcida para que encontrassem a felicidade que buscavam. Os que ficaram tornaram-se ainda mais importantes. Estejam longe ou aqui pertinho, sou grata a cada um deles por fazerem parte da minha vida.
E o ano ainda não acabou. Em 60 dias, muita coisa pode e vai acontecer, com toda certeza. Mudanças ainda estão por vir e já estou me preparando para elas. Minha natureza inconstante não me deixará quieta. Antes do ano acabar, farei um novo balanço, e provavelmente chegarei a conclusão que 2008 terá sido um marco histórico. E apesar de tudo, vai deixar saudade...
domingo, 26 de outubro de 2008
Trampolim
Que pulo que eu vou ter que dar para não me ferir?
Porque acordar sem você é ficar cego no amanhecer
É assistir o fim do mundo antes de escurecer
E eu no meio disso tudo, sem saber,
Se já estamos no início do que vamos ser"
A piscina em si não me dá medo. Por vezes, ela está vazia, ou a água está muito fria. Não há muito que fazer nessas horas, a não ser procurar a escada e uma toalha seca para consolar. Mas quando a água está morna, os minutos ali se transformam em momentos mágicos, e chego a me perguntar por que demorei tanto para pular.
Prefiro sempre me arrepender por coisas que fiz, do que sentir saudades daquilo que não vivi. Experimentar é da minha natureza. Sou geminiana e não seria eu sem essa curiosidade, sem esta ansiedade por viver. Não saberia passar pela vida sem ir ao limite do que ela pode me oferecer, mesmo sabendo que posso não alcançar, mesmo sabendo que nem sempre a gente ganha.
Sempre existirão trampolins para um próximo pulo.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Café, doces e cabelos brancos
Com seu carrinho de café, percorria boa parte da cidade. Tinha que sair de casa cedo, para pegar um coletivo vazio, de forma que seu carrinho não atrapalhasse a passagem das pessoas no corredor do ônibus. Precisava estar a postos no momento em que aqueles da ativa estavam chegando a seus locais de trabalho. Lucrava com a correria deles.
Seu café (ou chocolate, o que preferissem) era uma pequena pausa antes de mergulharem na rotina que levavam. Sentia que levava conforto para aquelas pessoas a cada copo servido. Reconfortava-se também com esse sentimento, sentia-se útil, apesar de sempre dizerem que, depois de certa idade, os homens deveriam se conformar com sua inutilidade. Ingênuos; não sabem o que é envelhecer num mundo que é pensado para os jovens. Suas costas doem, mas não pode parar de servir seus fregueses.
Almoçava às 11h. Um prato feito, a moça sempre chegava ao mesmo horário, já com a sua marmita em separado. Quando tinha lucro, pagava no mesmo dia; mas sabia que podia contar com o velho fiado. Contava também com a piedade que as pessoas costumam ter com os idosos. Frango, arroz, feijão e farofinha. Hum... Lembrou dos almoços de domingo, quando sua amada esposa ainda era viva. Uma lágrima caiu pelo canto do rosto. Apenas uma; não tinha outras. O tempo vai secando algumas coisas por dentro.
Quando o sentimento de solidão o alcançava, já era hora do próximo turno, pós-almoço. Desta vez, os doces também faziam sucesso, em parceria com o cafezinho, ainda conservado pela garrafa térmica. Seu carrinho tinha vários compartimentos. Não tinha som, como alguns modernosos que andam por aí, mas tinha seu charme. Conversas furtivas, sempre alguém reclamando da vida, do excesso de trabalho, da ausência do companheiro. Dava conselhos, quase sempre ignorados. Um ou outro ainda o olhava no olho e agradecia. Esse contato renovava as suas esperanças; ele existia para alguém. Sabia que estaria ali amanhã.
Fim de tarde. Sentado no ponto de ônibus, aguarda pacientemente aquele que passar mais vazio. Não conseguiria entrar com seu material de trabalho no horário de pico, teria que aguardar. Já esperou por tanto tempo na vida, deixou tantos ônibus passarem, mas sempre chegava a seu destino. Seus olhos estavam perdidos. Tomou o resto de chocolate que estava na garrafa térmica. Recordava dos tempos em que chegava em casa e era recebido pelos filhos pequenos, saudosos de sua presença, ansiosos por sua proteção.
Hoje tem que enfrentar uma casa vazia e uma cama fria. Sabia que aquilo não iria durar muito. Pedia que acabasse logo, em algumas noites. Viveu o que tinha que viver, fez sua parte nesse mundo de meu Deus. Não era ninguém; apenas o tio que estava sempre com um café fresco a oferecer. Encolheu-se na cama como criança, sentia mais frio do que o normal. Sonhou com a esposa, estavam tão felizes... teve uma noite calma, os ossos não doíam tanto.
Seu semblante estava sereno quando seu filho o encontrou...
domingo, 19 de outubro de 2008
Chico Buarque é o "cara"
Tanto Amar
Chico Buarque
Amo tanto e de tanto amar acho que ela é bonita
Tem um olho sempre a boiar e outro que agita
Tem um olho que não está, meus olhares evita
E outro olho a me arregalar sua pepita
A metade do seu olhar está chamando pra luta, aflita
E metade quer madrugar na bodeguita
Se os seus olhos eu for cantar, um seu olho me atura
E outro olho vai desmanchar toda a pintura
Ela pode rodopiar e mudar de figura
A Paloma do seu mirar vira miúra
É na soma do seu olhar que eu vou me conhecer inteiro
Se nasci pra enfrentar o mar ou faroleiro
Amo tanto e de tanto amar acho que ela acredita
Tem um olho a pestanejar e outro me fita
Suas pernas vão me enroscar num balé esquisito
Seus dois olhos vão se encontrar no infinito
Amo tanto e de tanto amar em Manágua temos um "chico"
Já pensamos em nos casar em "Puerto" Rico
A juventude e o desespero
O que passa na cabeça dessa juventude? Às vezes me acho um ponto fora da curva. Ainda sou jovem, tenho 26 anos. Há pouco tempo, saia da adolescência. Tive meus namoricos, meus arroubos, sofri por paixonites, fiz bobagens, discordava sempre dos meus pais... mas nada que colocasse a vida de alguém em risco, ou a minha própria vida em risco. Que desespero é esse desta geração?
Ansiedade, agressividade e pressa são marcas da juventude. Mas parece faltar rumo para esta geração e também limites. Acusar pais de negligência me parece clichê. Minha mãe sempre trabalhou fora, por um tempo em esquema de plantão. Sou filha de pais separados, ou seja, fruto de um casamento mal-sucedido. Meu pai nunca foi um exemplo de presença. Não vou dizer que não tive nenhum trauma, que não sofri por isso ou que não tenho minhas mágoas. Mas nem por isso sai por aí me afogando em drogas, ou desafiando as leis para me auto-afirmar.
E conheço pessoas que tiveram pais muito mais presentes que os meus, que tiveram muito mais oportunidades do que eu tive e que jogaram tudo fora. Seja por rebeldia, ou simplesmente para afastar o “tédio”. Também conheço famílias que não têm recursos, mas nem por isso deixaram de criar seus filhos dentro de princípios éticos. A natureza humana é mesmo imprevisível. O que nos leva a atos de tanta violência, a esse sentimento de autodestruição, essa vontade de atropelar a todos que passam em nosso caminho? Falta de objetivo, falta de sentimentos mais profundos?
Não tenho respostas. Apenas reflito e ainda me choco com esse tipo de situação. Espero me chocar sempre; sinal de que não perdi minha sanidade.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Pensamentos de anjo

O que se passa na cabeça desses andantes? Em sua rotina celestial, tudo é tão sereno... não há horários, agendas ou cobranças do chefe. A brancura das nuvens que o distraem. E os passos daqueles apressados lá embaixo. Que vida maluca é essa que levam?
Vivem sempre distantes um do outro, mas quando esbarram com um sentimento chamado paixão, ficam irreconhecíveis. Dizem que a culpa é do amigo Eros, aquele que não larga seu arco e flecha e adora pregar peças com os pobres apressados. E os coitados metem os pés pelas mãos. Fazem loucuras, colocam a vida na mão de outro apressado, que por vezes atropelam seus sentimentos, e não têm tempo para essas bobagens. Sofrem tanto... por vezes, chega a se condoer de alguns.
Não consegue entendê-los. Sentimentos são coisas simples. Mas os apressados complicam tanto... querem tudo para ontem, querem toda a atenção... querem tudo, na verdade. Querem algo em troca por cada migalha que dão. Bobagem... sentimento sente-se e pronto. Estar junto de outro é conseqüência, retribuições não podem ser forçadas. Por que não aprendem isso e param de sofrer? Queria compor uma sonata para explicar-lhes. Pena que não tenham tempo para ouvir sua pequena harpa. Não têm tempo para nada. Pobres apressados...
domingo, 12 de outubro de 2008
Ouvir estrelas

Via Láctea
Olavo Bilac
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
Mais um dia
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Seus olhos
Não esperava estar aqui tão cedo; não esperava mergulhar nessas águas tão azuis (ou será que são verdes, para combinar com teus olhos?). Não sei lidar com sentimentos, não sou uma pessoa delicada, não sou romântica. Por vezes, as palavras me confundem, apesar de lidar com elas o tempo todo.
Não queria mergulhar nesse mar, ainda estava encharcada por outras tempestades. E no fim, sinto que tudo passou, que é uma nova onda que me toma, que quer me levar.
Por que resisto tanto? Talvez pela falta de certeza sobre onde esta onda pode me levar... mas quero tanto ir... tenho a sensação que ando me arriscando demais, me expondo demais, me entregando demais. Será que sempre fui assim e nunca me dei conta?
Que espírito aventureiro é esse que me arrebata? Não sou de arroubos. Mas como resistir a esses olhos que me conduzem a lugares que não imaginava. Que conseguem me levar, mesmo quando juro para mim mesma que não vou, mesmo que o relógio me diga que não é hora. Será que não?
sábado, 4 de outubro de 2008
Só o Zeca explica...
Eu não quero ver você fumando ópio, pra sarar a dor
Eu não quero ver você chorar veneno
Não quero beber o teu café pequeno
Eu não quero isso seja lá o que isso for
Eu não quero aquele
Eu não quero aquilo
Peixe na boca do crocodilo
Braço da Vênus de Milo acenando tchau
Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro, se bem me lembro
O melhor futuro este hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o tejo escorrendo das mãos
Quero a Guanabara, quero o Rio Nilo
Quero tudo ter, estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo água e sal
Nada tenho vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida vida, noves fora, zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver
(Se é assim quero sim, acho que vim pra te ver)
Bandeira (Zeca Baleiro)
Lindo o show do Zeca Baleiro ontem, no Bahia Café Hall. Deixou gostinho de quero mais...
domingo, 28 de setembro de 2008
Parabéns, Mamãe!!
Hoje é aniversário de minha mãe... não informo a idade, pois ela me colocaria de castigo (rsrsrs). Que Deus lhe conceda ainda muitos anos de alegria e paz!
sábado, 27 de setembro de 2008
Semana difícil
Comecei a pensar em minha própria vida. Nas coisas que vivi até então, nas minhas conquistas, nas minhas dificuldades, nos meus planos. Me dei conta de como sou feliz. E refleti que não é uma semana difícil que vai abalar esse momento tão bacana que estou vivendo. Ainda não virei inseto...
domingo, 21 de setembro de 2008
O toque
sábado, 20 de setembro de 2008
Mais uma da Tia Danuza...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Those Sweet Words
Intérprete: Norah Jones
What did you say?
I know I saw you singin'
But my ears won't stop ringin'
Long enough to hear those sweet words
What did you say?
End of the day, the hour hand has spun
But before the night is done
I just have to hear those sweet words
Spoken like a melody
All your love is a lost balloon
Rising up through the afternoon
Till it could fit on the head of a pin
Come on in
Did you have a hard time sleepin'
Cause the heavy moon was keepin' me awake
And all I know is I'm just glad to see you again
See my love is like a lost balloon
Rising up through the afternoon
And then you appeared
What did you say?
I know what you were singin'
But my ears won't stop ringin'
Long enough to hear those sweet words
And your simple melody
I just have to hear those sweet words
Spoken like a melody
I just wanna hear those sweet words
Adoro essa música da Norah Jones. Pode até paracer sem sal, mas o que posso fazer? Adoro um doce...
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Escolhas

Mais complicado fica quando chegamos na tal idade adulta e nossas escolhas podem definir sucesso ou fracasso na vida profissional, qualidade de vida, felicidade ou infelicidade. Passamos a escolher não simplesmente o destino das férias, ir ou não ir numa festa; passamos a escolher o apartamento que queremos comprar, a marca do carro, casar e ter filhos...
Estou numa fase de escolhas importantes. E me acho amadurecida para tomar certas decisões. Acho até que precisei tomar algumas resoluções muito cedo e dei um rumo na minha vida que me proporcionou uma estabilidade que nem todos na minha idade possuem. Falo de estabilidade emocional mesmo. Fiz algumas escolhas erradas também, que me fizeram recuar e aprender lições valiosas. Mas acertei na maioria das vezes e hoje me considero uma pessoa feliz e realizada em vários aspectos da minha vida.
Tenho adiado algumas decisões, mas chega uma hora que não tem para onde fugir. Diante de uma dessas escolhas eu tenho refletido muito. Preciso dar um passo a frente, não para provar nada a ninguém, mas para ter certeza que eu posso, que conquistei a minha independência. Não vai ser fácil, como todas as escolhas em minha vida... mas espero acertar mais uma vez.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Frase do dia
“Dizem que Machado de Assis, antes de expirar, com voz quase desfalecente, disse: ‘a vida é boa’. Eu diria que a vida é uma experiência fascinante e que o fato de estar vivo é um prêmio”
domingo, 14 de setembro de 2008
Sobre a cegueira e a humanidade
Cena do filme "Ensaio sobre a cegueira", do brasileiro Fernando Meirelles
Uma epidemia de cegueira atinge uma cidade. Rapidamente, o desespero toma conta das pessoas e faz brotar um instinto de sobrevivência que muitos de nós ignoramos solenemente, devido à rotina pequeno-burguesa que vivemos. Não se trata de viver, mas de sobreviver, algo muito mais visceral, muito mais próximo dos animais, da selvageria. E como podemos ser pequenos e egoístas quando se trata de defender a nossa própria subsistência.
A personagem de Julianne Moore é a ponta de razão que ainda resta naquela sociedade. Única personagem que ainda enxerga, ela vive um dilema terrível. Ela tem a noção exata do que aquelas pessoas se transformaram e é deliberadamente usada por todos, inclusive seu marido. Para mim, uma cena emblemática é aquela em que ela já não suporta mais a situação e cogita sair para tentar encontrar uma cura, já que foi a única que não foi contaminada, e seu marido a impede argumentado o que seria daquele pequeno grupo sem ela. Que se dane o resto da humanidade, o mais importante era aquelas seis ou sete pessoas permanecerem vivas.
Não se trata de julgar o comportamento daquelas pessoas, mas de imaginar que não vivemos nada de muito diferente hoje. Em quantos momentos nos flagramos pensando em nós mesmo e nem nos lembramos do resto da humanidade. Como são raros gestos de solidariedade. Como a barbárie é eminente, camuflada por alguns códigos do chamado pacto social. O ser humano é complexo, capaz dos atos mais vis e baixos, mas também capaz de sublimar dificuldades e ainda ter esperança. Para mim esta foi a grande mensagem do filme.
Agora preciso ler o livro e rever o filme. Oh, natureza crítica que não me deixa.
sábado, 13 de setembro de 2008
Inconstante
Sou realmente esquisita. Posso estar ao lado daquele que eu achei que era meu príncipe encantado e, no dia seguinte, olhar para o lado e me perguntar o que vi em alguém tão sem sal. Começo um curso com a maior empolgação, com a certeza de que fará uma diferença imensa na minha carreira e, na terceira disciplina, não ter o mínimo saco em freqüentar as aulas (Por fim, vou abandonar aquele MBA, decidi hoje de manhã).
Marcar algo comigo num fim de semana é loteria. Mudo de idéia no último minuto, e um sábado que prometia ser cheio de baladas pode se resumir a uma leitura, antes de dormir. Sem o menor arrependimento.
Já fui muito pior, mas confesso que essa inquietude ainda me persegue. Em casa, nos relacionamentos, no trabalho. Não sou afeita a rotinas, compromissos podem me sufocar, novidades me fascinam. Sou cíclica, posso passar um mês em baladas homéricas e, no mês seguinte, mal colocar a cabeça para fora de casa num sábado ensolarado.
Queria ser mais previsível. Acho que seria mais fácil para quem está ao meu lado. Não traria tantos aborrecimentos.
Mas se fosse fácil, não seria eu. E confessem, perderia toda a graça...
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Cantinho Escondido
"Dentro de cada pessoa
Tem um cantinho escondido
Decorado de saudade
Um lugar pro coração pousar
Um endereço que freqüente sem morar
Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão
Coração não tem barreira, não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho meu canto cativo pra voltar
Eu posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
O meu cantinho há de ir
Dentro... "
Hoje, definitivamente, tudo que eu queria era um cantinho escondido...
Princípios

Minha fama de brava já ganhou o mundo. Na família, no trabalho ou entre amigos, todos sabem que sempre defendo meus pontos de vista com firmeza. Sempre sou taxada de chata, por não conseguir ficar calada diante de coisas que ferem a meus princípios éticos. Para o bem ou para o mal, não sei ser de outro jeito.
Devo confessar que ando mais intolerante neste ponto nos últimos tempos. Mas acredito que as coisas chegaram a um limite em nossa sociedade. Vejo pessoas que, por questões financeiras, vendem sua ética. Outras que, em nome do “amor”, atropelam todos os seus princípios. Anulação, omissão... sinto angústia só em imaginar. Não consigo ficar calada... quem me conhece bem sabe disso.
Essa é outra fama que carrego: sempre tenho uma resposta a dar, em todas as situações. Mas, sobre esta fama, eu filosofo na próxima postagem...
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Ah, o amor...
sábado, 6 de setembro de 2008
Hello, Stranger!
(The Blower’s Daughter, Damien Rice,
música tema do filme Closer)

Definitivamente, algumas histórias não foram escritas para ter final feliz. Elas devem ser vividas sem expectativa, pelo tempo que durar. Não adianta. Não se coloca reticências numa frase que deve ter um ponto final. Fica estranho, fora de ordem. Não adianta brigar contra a vida ou o destino. Algumas pessoas não nasceram para ficar juntas. Ponto parágrafo.
Tive este pensamento revendo um filme que amo: Closer. A trama mostra a trajetória de quatro pessoas reunidas pelo destino, com Jude Law, Julia Roberts, Natalie Portman e Clive Owen. Desde o início está na cara: Anna (Julia Roberts) e Dan (Jude Law) não serão felizes juntos. Paixões arrebatadoras, que levam a ações inconseqüentes, que nos tiram do prumo, não costumam resultar em finais felizes. É excesso de sentimento, e nada em excesso faz bem.

Por vezes em nossas vidas nos deparamos com esta situação. No fundo, sabemos que não vai dar certo, que seremos magoados, que estaremos destruídos no final da relação, mas como criança teimosa, deixamos as conseqüências de lado e nos arriscamos. Em geral, a coisa acaba exatamente como imaginávamos e temos que catar os cacos no fim. Mas como saber o fim se não arriscarmos?
Apesar da minha natureza racional, costumo me arriscar mais do que deveria. É difícil sentimentos extremos brotarem em mim. Não me apaixono fácil, sou uma pessoa difícil de conquistar. Mas quando eles surgem, apesar de relutar, deixo que a onda me leve. Momentos felizes e finais trágicos; prefiro catar os cacos do que me arrepender pelo resto da vida por algo que não vivi.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
O que dizem os astros

A força do desejo parece irresistível, mas se assim o fosse, você não seria humano, mas animal. Você é um ser humano, diferente dos animais, porque sempre terá ao seu dispor a opção de escolher o que fazer com a tal força dos desejos.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Pessoas certas, momentos certos
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
(Quase nada; Zeca Baleiro e Alice Ruiz)
Como posso me tornar assim tão eu estando com você? Você que apareceu sem aviso, num toque do destino, quando eu menos esperava. Que despertou um sentimento em mim que me eleva e que me acalma. Um sentimento que não sentia há algum tempo, já que meu coração andou me pregando peças que o deixaram em estado de espera.
Andei fechada para balanço. Queria paz em minha vida depois de algumas tempestades e achei que conseguiria isso estando só, fechada como dedos para novas emoções. Ironia achar esta paz em outro sentimento. Você que eu mal conheço e tanta confiança já me passa. Você que me liga do nada, para saber como estou ou pedir opinião sobre um móvel que quer reformar. Você que, como eu, é apaixonado pela liberdade. Que prefere a vida sem amarras, que gosta de velejar ao sabor do vento.
Sua calma me fascina. Sua alegria é contagiante. Seu toque me deixa meio tonta e, ao mesmo tempo, me dá uma sensação de equilíbrio. Não procure entender. Não sei o que espera de mim. Não sei se sente o mesmo que eu. O que sei é que o que tem me dado até agora tem sido importante para mim, e queria te agradecer por ter cruzado meu caminho. Caminhe pelo tempo que quiser...
Sempre acreditei na máxima que pessoas certas em momentos certos podem fazer grande diferença em nossas vidas. É essa a sensação que tenho quando penso em você.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Nalgum Lugar
ou se quiseres me ver fechado, eu e minha vida nos fecharemos belamente, de repente
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Pequenas conquistas
Faz uns 4 meses que comprei um carro. Minha primeira grande compra. Da marca que eu queria, da cor que eu queria, com os acessórios que escolhi. Enfim, quem o vê sabe que é a minha cara. Mas cadê coragem de rodar com o bichinho?
Tenho carteira há mais de cinco anos, devo confessar que foi um martírio para conseguir tirar. Não pelos exames. Passei na segunda prova prática (fui bem, dizem que a primeira é sempre complicada, pelo nervosismo; a maioria das pessoas que conheço só passou na segunda prova mesmo). Não gosto de dirigir e não tenho paciência para o trânsito de Salvador.
Já dava as minhas voltinhas com ele perto de casa. Fiz uma aventura dirigindo até Villas do Atlântico, num dia de chuva, mas já tem um tempinho. Mas ter dirigido até o trabalho, mesmo com minha mãe do lado, foi para mim algo extraordinário. Um ato de coragem, que mudou todo o meu dia. Sinto-me mais confiante. Precisava desse primeiro passo. Outros virão...
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
sábado, 23 de agosto de 2008
Titãs
Titanzinho. Comunidade localizada em Serviluz, bairro periférico de Fortaleza, próximo às docas. Serviluz é considerado um dos bairros mais violentos da cidade. Estive lá para uma reunião com um grupo de senhoras e jovens que fazem parte de uma das associações de moradores do local.
Já havia visitado aquele lugar. Uma vista magnífica. Em momento algum senti medo por estar ali. A sede da associação ainda estava em reforma, paredes a serem pintadas. Mas a energia do lugar me impressionou. A força das pessoas que ali estavam me contagiou, fez com que eu acreditasse no trabalho que estava desenvolvendo. Isto aconteceu no início de 2007, estávamos na metade das atividades de um programa voltado para a construção de agendas 21 comunitárias.
Retornar foi excitante. Tive um pouco de medo do que iria encontrar. Será que as expectativas foram concretizadas? Será que o trabalho gerou frutos? E os jovens recrutados como voluntários, por onde andariam? Quais os anseios dessa comunidade?
Mais impressionante do que ver os projetos e parcerias que o grupo conseguiu com o programa, foi notar no olhar de cada um a vontade de ir além. Ver nos jovens, com idades muito próximas a minha e que tiveram muito menos oportunidade do que eu, a vontade de crescer, a certeza de podemos fazer a diferença, apesar das dificuldades ou induzidos por elas.
Hoje, os jovens preparam a montagem de uma cooperativa com base nos conhecimentos de informática adquiridos em cursos gratuitos. Pasmem, a cooperativa já possui organograma e gerências definidas! Um grau de organização que algumas empresas de pequeno e médio porte não possuem. Esses jovens são titãs, forças incontroláveis que podem ir muito além do que se imagina.
Senti uma ponta de orgulho. Saber que fiz parte deste programa e que ele trouxe resultados positivos na vida de algumas pessoas. Mas esta visita também trouxe uma grande dose de responsabilidade, ao pensar a continuidade do programa e as expectativas que foram geradas na fase anterior. Um desafio grande.
