terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Samba de um minuto

Composição: Rodrigo Maranhão
Interpretação: Roberta Sá

Devagar
Esquece o tempo lá de fora

Devagar

Esqueça a rima que for cara.

Escute o que vou lhe dizer

Um minuto de sua atenção

Com minha dor não se brinca

Já disse que não

Com minha dor não se brinca

Já disse que não.

Devagar, devagar com o andor

Teu santo é de barro e a fonte secou

Já não tens tanta verdade pra dizer

Nem tão pouco mais maldade pra fazer.

E se a dor é de saudade

E a saudade é de matar

Em meu peito a novidade

Vai enfim me libertar.

Devagar...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Réquiem para 2008

O ano de 2008 já poderia ter acabado há alguns dias. Sério, não teria feito a menor diferença. Oh, ano arrastado esse. As coisas pareciam amarradas nesses últimos meses. Foi um ano de muitas idéias, pelo menos para mim. Muitas coisas aconteceram, e já postei aqui alguns dos momentos mais marcantes. Mas já deu... e há tempos.

Algumas das minhas metas para esse ano não foram atingidas. Paciência, sei que as coisas nem sempre saem como a gente planeja. Desde novembro, não houve vento suficiente para navegar. As velas precisaram ser guardadas e a âncora jogada ao mar. Mas esta calmaria teve seu lado bom. Trouxe auto-conhecimento, proporcionou ajustes de rota. Sei que começarei 2009 muito mais segura, e com muito mais garra para correr atrás dos meus planos.

2009 será um ano de ação. As idéias de 2008 deverão se tornar realidade. Pelo menos é o que espero, e farei de tudo para realizar. Comecei o meu réquiem para 2008 há algum tempo...


Cantinho da cultura
Réquiem: missa ou cerimônia solene em homenagem aos mortos.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Só uma pequena história de Natal...




Escreveu com a sua letra mais redonda. Não queria correr o risco de mal entendidos. Com toda a idade que o bom velhinho carrega, com certeza ele tem algum problema nas vistas e precisava facilitar o trabalho dele. Disseram que poderia mandar um e-mail. Mas achou mais seguro escrever a sua cartinha, como fazia todos os anos. Vai saber se o tal e-mail não era coisa desses malucos da internet. Podia ser criança, mas não era burra. Não iria arriscar.

Também não confiava nos impostores que ficavam no shopping. Qual a surpresa? Depois dos cinco anos, você acha realmente possível dizer a uma criança que é mesmo o Papai Noel sentado em cada canto da cidade? Que ele usa seus poderes mágicos para se transportar e estar em vários lugares ao mesmo tempo? Uma boa olhadela na barba falsa, na barriga de travesseiro e no “Ho, ho, ho” em diferentes tons para saber que não era a mesma pessoa.

Voltemos. Letra redonda, satisfações sobre notas na escola e bom comportamento com os pais. Achava que realmente merecia a bicicleta que tanto queria. Terminou a carta, pegou um envelope, fechou com um adesivo da Hello Kitty. Pediu ao pai que colocasse no Correio, e que pedisse urgência na entrega, pois a casa do bom velhinho ficava muito longe e sua carta tinha que chegar a tempo.

Os dias se passaram. O grande dia chegou. Vestiu a roupa linda que escolheu com a mãe, no dia anterior. As lojas estavam cheias... será que Papai Noel pega todas essas filas para comprar os presentes e mandar embalar? Será que ele comprava tudo no cartão de crédito, ou levava o dinheiro dentro do grande saco vermelho?? Podia imaginar a cara dele quando chegava a cobrança, a Mamãe Noel gritando, assim como seu pai fazia com a sua mãe, todo mês.

Estava pronta. Comeu depressa, achando que assim o tempo passaria mais rápido. Adorava o vovô, mas ele não poderia deixar a conversa sobre futebol para depois e ir logo embora? O Papai Noel só chegaria depois que a casa estivesse vazia. Desta vez pegaria ele no flagra, já tinha todo o plano. Estava segurando o sono até onde podia. Os últimos convidados estavam se despedindo. Odiava quando a tia gorda apertava sua bochecha, mas desta vez, abriu um grande sorriso, pois significava que a grande hora estava chegando. A casa ficou vazia. Vestiu os pijamas.

Deitou-se na cama e esperou. As pálpebras teimavam, mas não queria dormir. Não podia fechar os olhos, não podia... Quando acordou de manhã, sua bicicleta estava ali, do lado da cama. Como ele fazia aquilo?

Por mais um ano, a magia estava mantida. A infância ainda perduraria por alguns anos.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A cegueira by Saramago

Precisava escrever, caso contrário, não conseguiria dormir.

Acabei de ler o romance de Saramago, “Ensaio sobre a cegueira”. Já vi o filme do Meirelles. Fui contra meus próprios princípios de nunca assistir a um filme baseado em um romance antes de ler a obra original. Fiz o caminho contrário e não me arrependo.

Ter visto o filme tornou o livro ainda mais interessante. Óbvio, o diretor fez uso da licença poética para que a obra adquirisse sentido numa outra linguagem. Seria muita pretensão achar que poderia transpor para a tela toda a densidade inerente a uma narrativa escrita. Palmas para Meirelles, admiro muito mais o seu trabalho por entender essa diferença e não querer ser mais do que a obra original.

Mas vamos ao livro. Nunca tinha lido Saramago. E isso causa estranheza a qualquer leitor, por mais experiência que tenha. Uma amiga minha, que também tinha acabado de ler o livro, já havia comentado da dificuldade de leitura. Mas Cris, a falta de travessões e aspas faz todo sentido! É esta ausência na separação de frases e pensamentos das personagens que dão ao romance o seu ritmo, que levam o leitor a encarar aquela situação não como algo singular a um ou outro personagem... mas algo que desestruturou a humanidade.

O livro me afetou muito mais do que o filme. A descrição das cenas de estupro não chega nem perto do que foi mostrado (ou velado) na telona. O jogo de claro e escuro de Meirelles ameniza a dureza das palavras de Saramago. Não há demérito nisso. Fico a imaginar o asco e as ânsias de vômito que seriam provocadas no meio da sessão... um filme precisa se vender, e para isso, a platéia deve assisti-lo até o fim.

De resto, Meirelles captou a essência da história. Não vou repetir aqui o que já escrevi em outro post.

Virei fã de Saramago. Encerro o texto com a frase na epígrafe do livro:

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sobre os tontos

A vida dá mesmo muitas voltas. Pena que algumas pessoas nem sempre percebam e simplesmente fiquem tontas sem saber o porquê. O destino por vezes nos dá uma segunda chance para corrigir erros, pedir desculpas e desfazer mágoas. Mas alguns tontos deixam essa oportunidade passar, ou simplesmente metem os pés pelas mãos e se vêem fazendo tudo de errado de novo.

Sou uma pessoa cabeça dura, quem me conhece mais de perto sabe. Se eu acho que estou certa, não mudo a minha opinião com facilidade (na verdade, quase nunca mudo de opinião). Mas se eu me vejo equivocada, se cometo uma injustiça ou faço uma bobagem, não hesito em pedir desculpas. Não espero segunda chance do destino.

Existem pessoas, por outro lado, que podem ter infinitas chances de se desculpar, e nem se dão conta. Existem pessoas que parecem ter prazer em fazer aqueles que gostam delas sofrer, simplesmente porque não sabem o que é gostar de alguém. Não sabem o que é ter respeito e compromisso. Agem por instintos baixos, como animais que só enxergam as suas necessidades imediatas, sejam sensoriais, emocionais ou materiais. Atropelam quem está na frente por satisfação imediata e acabam com qualquer futuro ou relação duradoura.

E não estou falando só de relacionamentos amorosos. Quantas pessoas que você chamava de amigas na verdade só estavam do seu lado por suas posses, ou em busca de status? Quantas pessoas você conhece que tiram vantagem da família, usando a compaixão inerente desses laços? E não adianta querer ajudar essas pessoas. Elas não enxergam que têm problemas, não sentem as voltas que o mundo dá, pois não têm noção de equilíbrio. Precisam cair, se esborrachar, se acharem sozinhas, por vezes mais de uma vez.

Pobres almas. São dignas de pena. Precisam crescer pela indiferença alheia. É inútil qualquer palavra de apoio ou repreensão. Não ouvirão. Não nos cabe carregá-las. Precisam tropeçar pelas próprias pernas para aprender e, finalmente, darem conta das voltas do mundo, deixando a tonteira (ou tontice?) de lado.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Textos trocados

Numa de nossas conversas pelo MSN, eu e Luis (autor do blog Visão Mundana) resolvemos trocar textos para nossos blogs. O dele é o "Conexões", postado aí embaixo. O meu é o "Navegar", que vocês podem conferir no blog Visão Mundana. Se você gosta do meu blog, vai gostar do dele também. É só ler o texto do Luis para entender...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

É o que me interessa

Composição: Lenine / Dudu Falcão

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro

A sobra do passado

Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado

Eu quero estar cercado só de quem me interessa

Às vezes é um instante

A tarde faz silêncio

O vento sopra a meu favor

Às vezes eu pressinto e é como uma saudade

De um tempo que ainda não passou

Me traz o teu sossego

Atrasa o meu relógio

Acalma a minha pressa

Me dá sua palavra

Sussurre em meu ouvido

Só o que me interessa


A lógica do vento

O caos do pensamento

A paz na solidão

A órbita do tempo

A pausa do retrato

A voz da intuição

A curva do universo

A fórmula do acaso

O alcance da promessa

O salto do desejo

O agora e o infinito

Só o que me interessa

Adoro essa música. Lenine é um artista genial, e suas composições sempre me fazem refletir. E nesse meu momento egoísta, tô bem no clima dessa música. Só quero o que me interessa. E o que me interessa é estar em paz!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Conexões

Outro dia, numa conversa com a dona deste blog, decidimos fazer uma troca. Cada um escreveria algo para o blog do outro (o meu é o Visão Mundana, logo ali do lado). Temos tido tantas conexões sobre vários assuntos, que, em mais uma conversa com e sem nexo, me inspirei para estas palavras no blog alheio. Não tão alheio assim, hehehehe.

As conexões e os atos descontínuos foram meu norte em nossa conversa. Tudo começou com meu post de alma gêmea. Começamos a debater sobre o assunto e me vi refletindo sobre isso mais uma vez. Na verdade, me questiono se temos almas trigêmeas? Isso até virou piada na boca de um amigo. Ou será que há A alma, mas também existem outras que temos ligações fortes? De onde vem a explicação para que duas pessoas que cresceram separadas, cidades distantes, culturas distintas, vidas diversas pudessem ser tão interligadas? Não falo de uma pessoa apenas. São várias. São muitas.

Não há promiscuidade nisso. Não é uma festona. Apenas identificamos pela energia que nossos corpos emanam que certas pessoas nos carregam positivamente (em alguns casos, chega a ser literal, hehehe). Troca de olhar, de sorrisos, de cumplicidade. Nada ligado há algo fora do eixo amizade. O sentimento pelo outro é forte. Chega a te assustar.

Será que vem de outra vida? De outras vidas? Ou será que começou agora porque o Destino o quis assim? São tantas perguntas. Tantos anseios por respostas. Tanta conectividade.

Ao escrever, olhei por lado e vi um mural com fotos que tenho. Pessoas que me fazem bem. Que quero que estejam comigo, sempre. Se pudesse juntar todo mundo. Ai me lembro de outra amiga, que em uma ligação virou de infância. De duas amizades que começaram do nada e que despertaram ciúmes. Das “mães” que ganhei por este Brasil de ai meu Deus. Dos amigos que estão distantes, mas que, com dois minutos de conversa, parece que não houve afastamento algum.

O bom disso tudo é aguardar as surpresas que virão para as nossas vidas. Que cada pessoa tem o que contribuir no seu tempo, por mais que estejam longe na relação espaço-temporal. Elas fazem parte do seu crescimento. Nós fizemos parte do amadurecimento delas. Afinal, estamos todos conectados.


Texto de Luis Augusto Nobre, "amigo de infância", jornalista e autor do blog Visão Mundana

sábado, 22 de novembro de 2008

Meninas Superpoderosas

Outro dia um amigo me disse que me achava uma menina Superpoderosa. Na hora eu ri, brinquei eu tava mesmo a cara da Docinho com esse meu novo visual, mas fiquei com isso na cabeça. Talvez eu seja mesmo uma garota Superpoderosa. Ralei pra burro pra conseguir o que conquistei na minha vida, e continuo ralando. Tenho que enfrentar obstáculos todos os dias, vencer medos e insegurança. Acho que sou uma boa filha, uma amiga compreensiva.

Mas toda menina Superpoderosa que se preze conhece outras meninas Superpoderosas. Nossa, conheço algumas com muito mais superpoderes que os meus. Amigas fiéis. Profissionais competentes. Mães dedicadas. Cada uma com sua habilidade tem o poder de mudar o mundinho a sua volta e tocar muitas vidas.

Dedico este post a todas as garotas Superpoderosas que tenho a honra de chamar de amigas. Coloco a foto de algumas delas (me perdoem se faltar alguém, mas não tenho foto de todo mundo... é só mandar que coloco aqui).

Ju e Nandy



Pri, Deb, Sil e Juju



Lu e Zaita

Cris e Alice


Deb e Elen


terça-feira, 18 de novembro de 2008

Praias e pegadas



Para onde me levarão os meus pés?


Em que praias desconhecidas deixarei minhas pegadas? Ao certo elas serão apagadas pelo mar, mas a lembrança dos caminhos ficará para sempre na memória.

Quantas conchas irei encontrar no caminho? Espero perder as contas, a noção de formatos e cores. Ouvir o mar em cada uma delas, com diferentes volumes.

Mergulhar no mar, esquecendo problemas, deixando em suas águas todo rastro de preocupações. Que sejam apagados como as minhas pegadas na areia.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Resposta ao Tempo

(Composição: Aldir Blanc/Cristovão Bastos, Interpretação: Nana Caymmi)

Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento

Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei

Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há fôlhas no meu coração
É o tempo

Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei

E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Virar a página


Sabe aquela sensação de que você, finalmente, conseguiu virar uma página de sua vida? Encarar uma situação da qual você parecia fugir a tempos e perceber que aquele medo que você alimentava já não existe mais? Saiu de fininho e você nem se deu conta, pois evitava encará-lo.

Encarei. Não havia medo, não havia raiva, não havia mágoas. Também não havia amor, paixão, ou qualquer sentimento extremo. Ficou o carinho, um pouco de preocupação, talvez. Risos trocados, algumas idéias em comum. Algumas divergências, caminhos voltados para direções diferentes.

A vida por vezes nos prega boas peças. Mas também nos desafia a recomeçar. Proporciona oportunidades de nos conhecermos melhor, de ter a noção de nossos limites. Mostra que não é possível mudar ninguém, por mais que a gente se esforce; é guerra perdida. Cada um escolhe seu caminho, faz suas escolhas, que por vezes podem nos magoar. Mas será que fazem por mal? Quantas vezes também podemos magoar quem está do nosso lado, com as nossas escolhas?

Não há o que fazer, escolhemos a direção e precisamos seguir em frente. É a vida. As páginas precisam ser viradas, para que a história continue sem tropeços.

domingo, 9 de novembro de 2008

Girassol

"No coração de quem faz a guerra nascerá
Uma flor amarela
Como um girassol"

Girassol, Cidade Negra




Voltada para a vida eu estou, como um girassol que está sempre voltado para o sol. Às vezes os dias amanhecem tristonhos, assim como um dia nublado, em que o sol aparece apenas entre as nuvens. Mas eu sei que o sol está lá, assim como o girassol, que por força da natureza, está sempre voltado para ele. Terei sempre novos dias para viver, novas chances para buscar momentos felizes.

Desabrochei para a vida, assim como o girassol do meu jardim.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Change we need

"A mudança chegou à América"
Barack Obama, em seu discurso em Chicago, após o resultado das eleições




Apegado ao lema da mudança necessária, Barack Obama, afro-descendente e filho de mulçumano, conquistou a presidência da maior potência mundial. Mesmo para quem não goste os EUA ainda são a grande potência mundial; é só ver o estrago que o mundo tem vivido nos últimos meses por conta das dívidas do país. Nunca ouvi dizer que as dívidas da Nigéria causassem qualquer cócega em Wall Street.

A mudança proclamada por Obama já era esperada há muito mais tempo, e não só nos EUA. Obama já estava eleito por todos os países do mundo, antes mesmo do início das eleições norte-americanas. Para o mundo, ele se tornou símbolo de esperança.

Eu torci por Obama, mas tenho alguns medos. Medo de que tudo isso não passe de uma grande ilusão. Medo de que ele seja assassinado por algum lunático atrás de notoriedade.

Todos esperam dias melhores. Estou torcendo para que eles cheguem mesmo...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Bye, bye, 2008

Faltam 60 dias para que 2008 se despeça e ceda seu lugar para 2009. Para mim, foi um ano intenso. Já comentei com algumas pessoas que ele me valeu por cinco anos, de tanta coisa que me aconteceu.

Foi um ano de fechamento de ciclos e de recomeços. Ano para colocar pontos finais em histórias que insistiam em ter reticências. Ano de grandes decepções, mas um ano também de muitas lições.

Conheci pessoas muito bacanas, criei novos laços, passei por novas experiências, deparei com sentimentos novos. Foi um ano de descobertas, de ultrapassar limites. Um ano para conhecer os meus limites, acima de tudo, e descobrir meus desejos e vontades. E mais importante, de ter certeza do que eu não quero para a minha vida e fazer escolhas conscientes.

Não me arrependo de nenhuma atitude tomada ou palavra dita. Pedi desculpas quando magoei alguém; não ouvi desculpas quando me magoaram. Aprendi que não se pode exigir de outra pessoa aquilo que ela não pode ser. Que cabe a nós aceitar ou cair fora, antes de cair do precipício. Estive à beira dele, cheguei a me ferir tentando me segurar, e consegui voltar a tempo. E que paisagem bonita eu encontrei neste retorno!

Depressão? Claro, cruzei com ela este ano também. Mas não nos tornamos amigas íntimas. Com toda delicadeza, pedi que se retirasse, pois não havia espaço para ela em minha vida. Tinha mais coisas com as quais me ocupar. Nossa, e como me ocupei.

O trabalho me revigorou este ano. Novas empreitadas, novos desafios. Minha cama sentiu muita falta de mim este ano. Por vezes consegui dormir melhor num hotel do que em casa. Mas valeu a pena cada ausência. Apesar da saudade das pessoas queridas, pude crescer profissionalmente e obter reconhecimento de onde nem esperava.

Este também foi o ano dos amigos. Fiz novos “amigos de infância”. Reforcei laços que a rotina por pouco não desfez. Recebi deles o conforto que precisava para continuar a batalha. Ouvi sermões, recebi carinho, partilhei momentos alegres. Vi também algumas pessoas queridas irem embora, pois precisavam seguir suas vidas em outros lugares, longe de Salvador. Ficou a saudade e a torcida para que encontrassem a felicidade que buscavam. Os que ficaram tornaram-se ainda mais importantes. Estejam longe ou aqui pertinho, sou grata a cada um deles por fazerem parte da minha vida.

E o ano ainda não acabou. Em 60 dias, muita coisa pode e vai acontecer, com toda certeza. Mudanças ainda estão por vir e já estou me preparando para elas. Minha natureza inconstante não me deixará quieta. Antes do ano acabar, farei um novo balanço, e provavelmente chegarei a conclusão que 2008 terá sido um marco histórico. E apesar de tudo, vai deixar saudade...

domingo, 26 de outubro de 2008

Trampolim

"Que tipo de piscina terá embaixo deste trampolim?
Que pulo que eu vou ter que dar para não me ferir?
Porque acordar sem você é ficar cego no amanhecer
É assistir o fim do mundo antes de escurecer
E eu no meio disso tudo, sem saber,
Se já estamos no início do que vamos ser"
(Trampolim – Paulinho Moska)


Pular ou não pular do trampolim? Arriscar e levar alguns arranhões (ou uma bela queda, a depender da altura) ou viver de “será?” e “e se”? Eu sempre acabo pulando, apesar dos protestos da razão. Para falar a verdade, às vezes pulo impulsionada por ela, pois no fundo, odeio lidar com hipóteses. Prefiro sempre fatos, sim ou não; não sei viver de talvez.

A piscina em si não me dá medo. Por vezes, ela está vazia, ou a água está muito fria. Não há muito que fazer nessas horas, a não ser procurar a escada e uma toalha seca para consolar. Mas quando a água está morna, os minutos ali se transformam em momentos mágicos, e chego a me perguntar por que demorei tanto para pular.

Prefiro sempre me arrepender por coisas que fiz, do que sentir saudades daquilo que não vivi. Experimentar é da minha natureza. Sou geminiana e não seria eu sem essa curiosidade, sem esta ansiedade por viver. Não saberia passar pela vida sem ir ao limite do que ela pode me oferecer, mesmo sabendo que posso não alcançar, mesmo sabendo que nem sempre a gente ganha.

Sempre existirão trampolins para um próximo pulo.



segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Café, doces e cabelos brancos

Os cabelos brancos não deixavam mentir a idade. O corpo curvado já não agüentava os mesmos trancos da juventude. Estava cansado, mas não podia parar. O salário pago pelo INSS não era suficiente para todos os remédios de que precisava. Ironia essa do destino: deveria repousar para amenizar os efeitos da doença, mas se seguisse os conselhos dos médicos, morreria em dois dias, pois não teria como pagar pela medicação e consultas.

Com seu carrinho de café, percorria boa parte da cidade. Tinha que sair de casa cedo, para pegar um coletivo vazio, de forma que seu carrinho não atrapalhasse a passagem das pessoas no corredor do ônibus. Precisava estar a postos no momento em que aqueles da ativa estavam chegando a seus locais de trabalho. Lucrava com a correria deles.

Seu café (ou chocolate, o que preferissem) era uma pequena pausa antes de mergulharem na rotina que levavam. Sentia que levava conforto para aquelas pessoas a cada copo servido. Reconfortava-se também com esse sentimento, sentia-se útil, apesar de sempre dizerem que, depois de certa idade, os homens deveriam se conformar com sua inutilidade. Ingênuos; não sabem o que é envelhecer num mundo que é pensado para os jovens. Suas costas doem, mas não pode parar de servir seus fregueses.

Almoçava às 11h. Um prato feito, a moça sempre chegava ao mesmo horário, já com a sua marmita em separado. Quando tinha lucro, pagava no mesmo dia; mas sabia que podia contar com o velho fiado. Contava também com a piedade que as pessoas costumam ter com os idosos. Frango, arroz, feijão e farofinha. Hum... Lembrou dos almoços de domingo, quando sua amada esposa ainda era viva. Uma lágrima caiu pelo canto do rosto. Apenas uma; não tinha outras. O tempo vai secando algumas coisas por dentro.

Quando o sentimento de solidão o alcançava, já era hora do próximo turno, pós-almoço. Desta vez, os doces também faziam sucesso, em parceria com o cafezinho, ainda conservado pela garrafa térmica. Seu carrinho tinha vários compartimentos. Não tinha som, como alguns modernosos que andam por aí, mas tinha seu charme. Conversas furtivas, sempre alguém reclamando da vida, do excesso de trabalho, da ausência do companheiro. Dava conselhos, quase sempre ignorados. Um ou outro ainda o olhava no olho e agradecia. Esse contato renovava as suas esperanças; ele existia para alguém. Sabia que estaria ali amanhã.

Fim de tarde. Sentado no ponto de ônibus, aguarda pacientemente aquele que passar mais vazio. Não conseguiria entrar com seu material de trabalho no horário de pico, teria que aguardar. Já esperou por tanto tempo na vida, deixou tantos ônibus passarem, mas sempre chegava a seu destino. Seus olhos estavam perdidos. Tomou o resto de chocolate que estava na garrafa térmica. Recordava dos tempos em que chegava em casa e era recebido pelos filhos pequenos, saudosos de sua presença, ansiosos por sua proteção.

Hoje tem que enfrentar uma casa vazia e uma cama fria. Sabia que aquilo não iria durar muito. Pedia que acabasse logo, em algumas noites. Viveu o que tinha que viver, fez sua parte nesse mundo de meu Deus. Não era ninguém; apenas o tio que estava sempre com um café fresco a oferecer. Encolheu-se na cama como criança, sentia mais frio do que o normal. Sonhou com a esposa, estavam tão felizes... teve uma noite calma, os ossos não doíam tanto.

Seu semblante estava sereno quando seu filho o encontrou...

domingo, 19 de outubro de 2008

Chico Buarque é o "cara"

Quem gosta do Chico Buarque, levante a mão. Música para toda hora, todos os momentos. Posto aqui uma das que mais gosto.



Tanto Amar

Chico Buarque

Amo tanto e de tanto amar acho que ela é bonita

Tem um olho sempre a boiar e outro que agita
Tem um olho que não está, meus olhares evita
E outro olho a me arregalar sua pepita
A metade do seu olhar está chamando pra luta, aflita
E metade quer madrugar na bodeguita
Se os seus olhos eu for cantar, um seu olho me atura
E outro olho vai desmanchar toda a pintura
Ela pode rodopiar e mudar de figura
A Paloma do seu mirar vira miúra
É na soma do seu olhar que eu vou me conhecer inteiro
Se nasci pra enfrentar o mar ou faroleiro
Amo tanto e de tanto amar acho que ela acredita
Tem um olho a pestanejar e outro me fita
Suas pernas vão me enroscar num balé esquisito
Seus dois olhos vão se encontrar no infinito
Amo tanto e de tanto amar em Manágua temos um "chico"
Já pensamos em nos casar em "Puerto" Rico

A juventude e o desespero

Para onde caminha o nosso mundo? Estou em São Paulo esta semana, participando de um encontro sobre Comunicação e Sustentabilidade. Na cidade de concreto, um assunto domina todas as conversas: o seqüestro de duas adolescentes por um outro jovem, ex-namorado de uma das meninas. Saldo da operação policial: o cara preso e as duas meninas feridas, uma delas correndo risco de morrer. (Quando escrevi esse texto, na sexta, 17 de outubro, Eloá ainda estava em coma. Ontem a noite foi declarada a sua morte).

O que passa na cabeça dessa juventude? Às vezes me acho um ponto fora da curva. Ainda sou jovem, tenho 26 anos. Há pouco tempo, saia da adolescência. Tive meus namoricos, meus arroubos, sofri por paixonites, fiz bobagens, discordava sempre dos meus pais... mas nada que colocasse a vida de alguém em risco, ou a minha própria vida em risco. Que desespero é esse desta geração?

Ansiedade, agressividade e pressa são marcas da juventude. Mas parece faltar rumo para esta geração e também limites. Acusar pais de negligência me parece clichê. Minha mãe sempre trabalhou fora, por um tempo em esquema de plantão. Sou filha de pais separados, ou seja, fruto de um casamento mal-sucedido. Meu pai nunca foi um exemplo de presença. Não vou dizer que não tive nenhum trauma, que não sofri por isso ou que não tenho minhas mágoas. Mas nem por isso sai por aí me afogando em drogas, ou desafiando as leis para me auto-afirmar.

E conheço pessoas que tiveram pais muito mais presentes que os meus, que tiveram muito mais oportunidades do que eu tive e que jogaram tudo fora. Seja por rebeldia, ou simplesmente para afastar o “tédio”. Também conheço famílias que não têm recursos, mas nem por isso deixaram de criar seus filhos dentro de princípios éticos. A natureza humana é mesmo imprevisível. O que nos leva a atos de tanta violência, a esse sentimento de autodestruição, essa vontade de atropelar a todos que passam em nosso caminho? Falta de objetivo, falta de sentimentos mais profundos?

Não tenho respostas. Apenas reflito e ainda me choco com esse tipo de situação. Espero me chocar sempre; sinal de que não perdi minha sanidade.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Pensamentos de anjo



Aqui e acolá, asas batendo. De nuvem em nuvem, presta atenção no movimento que segue nas ruas. Com sua pequena harpa em punho, se põe a pensar porque andam tão apressados. Quase não se olham, mal se cumprimentam. Desperdiçam sentimentos com banalidades.

O que se passa na cabeça desses andantes? Em sua rotina celestial, tudo é tão sereno... não há horários, agendas ou cobranças do chefe. A brancura das nuvens que o distraem. E os passos daqueles apressados lá embaixo. Que vida maluca é essa que levam?

Vivem sempre distantes um do outro, mas quando esbarram com um sentimento chamado paixão, ficam irreconhecíveis. Dizem que a culpa é do amigo Eros, aquele que não larga seu arco e flecha e adora pregar peças com os pobres apressados. E os coitados metem os pés pelas mãos. Fazem loucuras, colocam a vida na mão de outro apressado, que por vezes atropelam seus sentimentos, e não têm tempo para essas bobagens. Sofrem tanto... por vezes, chega a se condoer de alguns.

Não consegue entendê-los. Sentimentos são coisas simples. Mas os apressados complicam tanto... querem tudo para ontem, querem toda a atenção... querem tudo, na verdade. Querem algo em troca por cada migalha que dão. Bobagem... sentimento sente-se e pronto. Estar junto de outro é conseqüência, retribuições não podem ser forçadas. Por que não aprendem isso e param de sofrer? Queria compor uma sonata para explicar-lhes. Pena que não tenham tempo para ouvir sua pequena harpa. Não têm tempo para nada. Pobres apressados...

domingo, 12 de outubro de 2008

Ouvir estrelas

As estrelas me trazem um sentimento de inspiração. Olhar o céu era meu passatempo preferido na infância. E as estrelas, vez ou outra, conversavam comigo e contavam segredos... procuro sempre seguir seus conselhos.



Via Láctea
Olavo Bilac

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

Mais um dia

Acordou num desses dias como qualquer outro. Desligou o despertador no primeiro alerta. Não queria levantar, a preguiça a abraçava, como sempre. Deu um impulso e já estava no banho para começar mais um ritual matutino.

Café corrido, uma rápida visita às páginas dos principais jornais, atenção ao comentarista da TV. Mais um dia nervoso na bolsa. Nada de novo... o dia realmente prometia ser como qualquer outro.

Desceu à garagem, deu bom dia ao vizinho, pegou o mesmo engarrafamento de todos os dias. Depois de trocar a roupa da Ioga, abriu a agenda do trabalho. Esteve entretida com algumas ligações, mal disse o chefe algumas vezes durante a manhã. Perguntou-se algumas vezes o que poderia ter sido de sua vida se tivesse feito outras escolhas alguns anos antes.

Poderia estar casada e com filhos, pensou ao recordar do ex-noivo, que por vezes ainda pede notícias e alimenta algumas chamas de esperança. Talvez estivesse divorciada, isso sim. Não teria dado certo. Logo afastou este pensamento. O telefone não permite maiores digressões até a hora do almoço.

Havia combinado um almoço com colegas de outros setores, contemporâneas de empresa. Uma estava grávida, a outra planejando o casamento. Estava feliz pelas duas, são pessoas muito queridas. Seu caminho, no entanto, é outro. Atualmente, suas maiores preocupações são a promoção que espera receber e o MBA que será feito pela empresa, no Rio de Janeiro.

Também anda entretida em montar o seu apartamento. Enfim, tomou coragem e tratou de conseguir um canto pra chamar de seu. Ainda estava às voltas com decorações e arranjos no encanamento. Mas era seu canto, algo que almejava. Ainda não era o seu objetivo realizado, mas ali podia ser somente ela, sem cobranças maternas anacrônicas e podendo calar-se sempre que tinha vontade.

Não podia reclamar, estava só por opção. Durante muito tempo dividiu idéias e objetivos com pessoas que passaram pela sua vida. Sabe que teve um grande amor, mas nem sempre grandes amores dão certo. Também já caiu em peças armadas pela paixão; a vida lhe mostrou que todos estão sujeitos a arroubos, mesmo alguém tão racional e pouco sensível. Hoje, prefere amizades sinceras e carinhos furtivos; não tem certeza se está pronta para novas cobranças, algumas dores ou qualquer decepção.

A tarde passa voando, as tarefas consomem suas horas. Uma mensagem para saber se a noite poderia render. Notou que não apenas sua agenda andava abarrotada. Não se pode ter tudo...

Fim de expediente. Mais um engarrafamento. Na quarta, tem que se lembrar de levar a mala para o escritório, o vôo parte às 17h. Um lanche para acompanhar a série preferida na TV a cabo. Recados lidos no Orkut, algumas palavras trocadas no MSN com amigos que estão em outra cidade.

Ligou o despertador. Uma preguiça boa a alcançava. Deitou-se com serenidade. Sentimento de mais um dia vivido. Lembrou-se, como todos os dias, que a felicidade está nas pequenas coisas, que a acomodação do dia a dia pode trazer tranqüilidade, mas estamos sempre em busca de algo mais, mesmo sem saber direito o que.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Seus olhos

De onde vem essa brisa que toca meu rosto? Que suavidade é essa que me toma? Que vontade é essa de viver que me invade?

Não esperava estar aqui tão cedo; não esperava mergulhar nessas águas tão azuis (ou será que são verdes, para combinar com teus olhos?). Não sei lidar com sentimentos, não sou uma pessoa delicada, não sou romântica. Por vezes, as palavras me confundem, apesar de lidar com elas o tempo todo.

Não queria mergulhar nesse mar, ainda estava encharcada por outras tempestades. E no fim, sinto que tudo passou, que é uma nova onda que me toma, que quer me levar.

Por que resisto tanto? Talvez pela falta de certeza sobre onde esta onda pode me levar... mas quero tanto ir... tenho a sensação que ando me arriscando demais, me expondo demais, me entregando demais. Será que sempre fui assim e nunca me dei conta?

Que espírito aventureiro é esse que me arrebata? Não sou de arroubos. Mas como resistir a esses olhos que me conduzem a lugares que não imaginava. Que conseguem me levar, mesmo quando juro para mim mesma que não vou, mesmo que o relógio me diga que não é hora. Será que não?

sábado, 4 de outubro de 2008

Só o Zeca explica...

Eu não quero ver você cuspindo ódio
Eu não quero ver você fumando ópio, pra sarar a dor
Eu não quero ver você chorar veneno
Não quero beber o teu café pequeno
Eu não quero isso seja lá o que isso for
Eu não quero aquele
Eu não quero aquilo
Peixe na boca do crocodilo
Braço da Vênus de Milo acenando tchau

Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro, se bem me lembro
O melhor futuro este hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o tejo escorrendo das mãos
Quero a Guanabara, quero o Rio Nilo
Quero tudo ter, estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo água e sal

Nada tenho vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida vida, noves fora, zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver
(Se é assim quero sim, acho que vim pra te ver)

Bandeira (Zeca Baleiro)

Lindo o show do Zeca Baleiro ontem, no Bahia Café Hall. Deixou gostinho de quero mais...

domingo, 28 de setembro de 2008

Parabéns, Mamãe!!

Dedico o dia de hoje àquela que está sempre ao meu lado. Que suporta as minhas mudanças de humor, que me conforta quando não estou bem, que me dá carinho sempre e a qualquer hora. Sou eternamente grata pela vida que me concedeu, pelas oportunidades, pela dedicação, pelo amor incondicional. Sem dúvida, a pessoa mais importante da minha vida...


Hoje é aniversário de minha mãe... não informo a idade, pois ela me colocaria de castigo (rsrsrs). Que Deus lhe conceda ainda muitos anos de alegria e paz!

sábado, 27 de setembro de 2008

Semana difícil

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei...
(Mais uma vez, Renato Russo e Flávio Venturini)

Demorei quase uma semana para postar algo no blog. Não foi uma semana fácil para mim, quem andou mais perto sabe. Me aborreci para caramba, me senti meio sozinha, não achei o colo que eu queria, discuti com quem não devia, me cansei com viagens inesperadas, até fantasmas reapareceram. Em compensação, falei coisas que estavam engasgadas em minha garganta há anos, pedi esclarecimentos que me foram dados, escutei promessas de dias melhores, consegui dar boas risadas com novos amigos de infância e senti que parte de um certo medo que me rondava já não me acompanha mais.

A vida nem sempre é do jeito que a gente planeja. Por vezes precisamos passar por certas provações para nos convencermos que somos capazes. Sinto que estou numa das fases mais produtivas de minha vida. Tenho conseguido desenrolar nós, fazer planos e conquistar espaços. Nada de modo fácil, mas sempre aprendendo com as experiências e pessoas que cruzam meu caminho. Algumas maravilhosas, outras nem tanto. Mas as situações difíceis têm servido para mostrar a mim mesma o quanto posso ser forte, o quanto estou serena e segura de mim.

Hoje, retornando do Rio, comprei um desses livros de bolso. A Metamorfose, de Kafka. A leitura foi uma viagem durante a viagem... A história começa quando um belo dia, Gregor, um caxeiro viajante, acorda no corpo de um inseto. Toda sua vida começa a ruir, e por conta do isolamento a que foi imposto, começa a refletir sobre o que foi sua vida, seus hábitos pequeno-burgueses, suas prisões internas e o que deixou de viver.

Comecei a pensar em minha própria vida. Nas coisas que vivi até então, nas minhas conquistas, nas minhas dificuldades, nos meus planos. Me dei conta de como sou feliz. E refleti que não é uma semana difícil que vai abalar esse momento tão bacana que estou vivendo. Ainda não virei inseto...

domingo, 21 de setembro de 2008

O toque

Como pode algo simples como o tocar ser tão mágico? Não falo de sexo, momento intenso banalizado por tantas provocações, mas do simples encostar de pele, do roçar de mãos. Não sou dada a expressões exageradas quando não tenho afeto pelas pessoas. Não gosto que pessoas estranhas me peguem, sinto incômodo quando alguém que não gosto tenta demonstrar intimidade com abraços e beijos sem sentimento.

O toque é algo especial para mim. Considero um gesto que se reserva para aqueles que gostamos, para aqueles que temos carinho. Alguém que sabe tocar nas mãos de outro alguém, pode demonstrar mais sentimento do que um beijo. E como é difícil demonstrações de afeto através de gestos simples.

Acredito que o toque pode ser um encontro de almas. Isso pode até soar piegas, mas alguns momentos não têm outra descrição. É algo que transcende explicações, algo que só se entende vivendo, experimentando o toque. Intensidade e simplicidade, uma combinação perfeita e harmoniosa.

Sentimentos não precisam ser selvagens. Não podemos viver a vida só de paixões arrebatadoras; não há corpo e coração que agüentem. Saber viver sentimentos com serenidade, aproveitando deles os momentos mais simples, como o tocar de mãos, podem render emoções intensas. E inesquecíveis.

sábado, 20 de setembro de 2008

Mais uma da Tia Danuza...

A Danuza Leão tem algumas sacadas fantásticas. Esta eu copiei do Orrrkut de Nandy e acho que é assim mesmo que as relações devem ser:


"São poucos os homens que sabem que conquistar é simples; não é preciso belas palavras nem flores, nem declarações de amor, nem promessas de futuro. Basta desejar muito, pois essa é a maior homenagem que uma mulher pode receber de um homem. E um conselho para eles e elas: esperem o dia em que esse desejo chegar de verdade, violento e forte como devem ser os desejos - seja para tomar um copo de água, comer um churrasco, seja para viver uma paixão. Quando vem inteiro e intenso, ele costuma se realizar e, mesmo que não se transforme numa relação, será uma lembrança inesquecível."

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Those Sweet Words

Composição: Lee Alexander - Richal Julian
Intérprete: Norah Jones


What did you say?
I know I saw you singin'
But my ears won't stop ringin'
Long enough to hear those sweet words
What did you say?

End of the day, the hour hand has spun
But before the night is done
I just have to hear those sweet words
Spoken like a melody

All your love is a lost balloon
Rising up through the afternoon
Till it could fit on the head of a pin

Come on in
Did you have a hard time sleepin'
Cause the heavy moon was keepin' me awake
And all I know is I'm just glad to see you again

See my love is like a lost balloon
Rising up through the afternoon
And then you appeared

What did you say?
I know what you were singin'
But my ears won't stop ringin'
Long enough to hear those sweet words
And your simple melody
I just have to hear those sweet words
Spoken like a melody
I just wanna hear those sweet words

Adoro essa música da Norah Jones. Pode até paracer sem sal, mas o que posso fazer? Adoro um doce...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Escolhas

Por que é tão difícil escolher? Escolhas sempre foram complicadas para mim, por mais simples que pudessem parecer. E quanto mais opções, mais confusa posso ficar. Como posso explicar? A sensação que tenho é que, escolhendo algo, abdico de uma outra coisa ou caminho que também poderia ser interessante.


Mais complicado fica quando chegamos na tal idade adulta e nossas escolhas podem definir sucesso ou fracasso na vida profissional, qualidade de vida, felicidade ou infelicidade. Passamos a escolher não simplesmente o destino das férias, ir ou não ir numa festa; passamos a escolher o apartamento que queremos comprar, a marca do carro, casar e ter filhos...

Não sou uma pessoa trágica e não acredito que más escolhas possam determinar toda uma vida. Sou adepta à filosofia de que nada é para sempre, que podemos fazer nosso destino, apesar dos acasos e das peças que a vida pode nos pregar. Mas, em alguns momentos, precisamos ter responsabilidade, refletir bem o que queremos para evitar sofrimentos.

Estou numa fase de escolhas importantes. E me acho amadurecida para tomar certas decisões. Acho até que precisei tomar algumas resoluções muito cedo e dei um rumo na minha vida que me proporcionou uma estabilidade que nem todos na minha idade possuem. Falo de estabilidade emocional mesmo. Fiz algumas escolhas erradas também, que me fizeram recuar e aprender lições valiosas. Mas acertei na maioria das vezes e hoje me considero uma pessoa feliz e realizada em vários aspectos da minha vida.

Tenho adiado algumas decisões, mas chega uma hora que não tem para onde fugir. Diante de uma dessas escolhas eu tenho refletido muito. Preciso dar um passo a frente, não para provar nada a ninguém, mas para ter certeza que eu posso, que conquistei a minha independência. Não vai ser fácil, como todas as escolhas em minha vida... mas espero acertar mais uma vez.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Frase do dia

“Dizem que Machado de Assis, antes de expirar, com voz quase desfalecente, disse: ‘a vida é boa’. Eu diria que a vida é uma experiência fascinante e que o fato de estar vivo é um prêmio”
Hélio Pólvora, em entrevista ao Jornal A Tarde (publicada em 14 de setembro de 2008)
A entrevista está muito interessante. Aos que quiserem conferir na íntegra, segue o link: http://www.atarde.com.br/cultura/noticia.jsf?id=961061

domingo, 14 de setembro de 2008

Sobre a cegueira e a humanidade

Boquiaberta. Foi assim que eu estava ao final da sessão de “Ensaio sobre a cegueira”, de Fernando Meirelles. Não li o livro do Saramago, talvez por isso, a minha reação seja um pouco exagerada. Mas o filme me tocou, mexeu comigo de uma forma que há tempos uma fita não mexe. Abalou a minha crença na humanidade.


Cena do filme "Ensaio sobre a cegueira", do brasileiro Fernando Meirelles


Uma epidemia de cegueira atinge uma cidade. Rapidamente, o desespero toma conta das pessoas e faz brotar um instinto de sobrevivência que muitos de nós ignoramos solenemente, devido à rotina pequeno-burguesa que vivemos. Não se trata de viver, mas de sobreviver, algo muito mais visceral, muito mais próximo dos animais, da selvageria. E como podemos ser pequenos e egoístas quando se trata de defender a nossa própria subsistência.

A personagem de Julianne Moore é a ponta de razão que ainda resta naquela sociedade. Única personagem que ainda enxerga, ela vive um dilema terrível. Ela tem a noção exata do que aquelas pessoas se transformaram e é deliberadamente usada por todos, inclusive seu marido. Para mim, uma cena emblemática é aquela em que ela já não suporta mais a situação e cogita sair para tentar encontrar uma cura, já que foi a única que não foi contaminada, e seu marido a impede argumentado o que seria daquele pequeno grupo sem ela. Que se dane o resto da humanidade, o mais importante era aquelas seis ou sete pessoas permanecerem vivas.

Não se trata de julgar o comportamento daquelas pessoas, mas de imaginar que não vivemos nada de muito diferente hoje. Em quantos momentos nos flagramos pensando em nós mesmo e nem nos lembramos do resto da humanidade. Como são raros gestos de solidariedade. Como a barbárie é eminente, camuflada por alguns códigos do chamado pacto social. O ser humano é complexo, capaz dos atos mais vis e baixos, mas também capaz de sublimar dificuldades e ainda ter esperança. Para mim esta foi a grande mensagem do filme.


Agora preciso ler o livro e rever o filme. Oh, natureza crítica que não me deixa.

sábado, 13 de setembro de 2008

Inconstante

Queria não ser uma pessoa tão inconstante. Meu temperamento muda com uma facilidade incrível. Dizem que é o mal que aflige os que nasceram com o Sol em Gêmeos. Se for influência do meu Sol eu ser uma pessoa de lua, nunca vou ter certeza. Mas essa inquietude faz parte de mim e é difícil controlá-la.

Sou realmente esquisita. Posso estar ao lado daquele que eu achei que era meu príncipe encantado e, no dia seguinte, olhar para o lado e me perguntar o que vi em alguém tão sem sal. Começo um curso com a maior empolgação, com a certeza de que fará uma diferença imensa na minha carreira e, na terceira disciplina, não ter o mínimo saco em freqüentar as aulas (Por fim, vou abandonar aquele MBA, decidi hoje de manhã).

Marcar algo comigo num fim de semana é loteria. Mudo de idéia no último minuto, e um sábado que prometia ser cheio de baladas pode se resumir a uma leitura, antes de dormir. Sem o menor arrependimento.

Já fui muito pior, mas confesso que essa inquietude ainda me persegue. Em casa, nos relacionamentos, no trabalho. Não sou afeita a rotinas, compromissos podem me sufocar, novidades me fascinam. Sou cíclica, posso passar um mês em baladas homéricas e, no mês seguinte, mal colocar a cabeça para fora de casa num sábado ensolarado.

Queria ser mais previsível. Acho que seria mais fácil para quem está ao meu lado. Não traria tantos aborrecimentos.

Mas se fosse fácil, não seria eu. E confessem, perderia toda a graça...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Cantinho Escondido

Carlinhos Brown, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Cézar Mendes

"Dentro de cada pessoa
Tem um cantinho escondido
Decorado de saudade

Um lugar pro coração pousar
Um endereço que freqüente sem morar
Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão

Coração não tem barreira, não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho meu canto cativo pra voltar

Eu posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
O meu cantinho há de ir

Dentro... "


Hoje, definitivamente, tudo que eu queria era um cantinho escondido...

Princípios


Se existe uma coisa que me deixa irada é alguém me pedir para ir de encontro aos meus princípios. Sou uma pessoa extremamente racional, não sou fechada a argumentos, não tenho problema em reavaliar minhas idéias. Mas me pedir para jogar fora meus ideais, aquilo que acho certo, isso eu não aceito.

Minha fama de brava já ganhou o mundo. Na família, no trabalho ou entre amigos, todos sabem que sempre defendo meus pontos de vista com firmeza. Sempre sou taxada de chata, por não conseguir ficar calada diante de coisas que ferem a meus princípios éticos. Para o bem ou para o mal, não sei ser de outro jeito.

Devo confessar que ando mais intolerante neste ponto nos últimos tempos. Mas acredito que as coisas chegaram a um limite em nossa sociedade. Vejo pessoas que, por questões financeiras, vendem sua ética. Outras que, em nome do “amor”, atropelam todos os seus princípios. Anulação, omissão... sinto angústia só em imaginar. Não consigo ficar calada... quem me conhece bem sabe disso.

Essa é outra fama que carrego: sempre tenho uma resposta a dar, em todas as situações. Mas, sobre esta fama, eu filosofo na próxima postagem...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ah, o amor...

"Quem ama não mata - não com uma faca ou com um revólver -, mas costuma fazer desaparecer a pessoa que conheceu e por quem se apaixonou, o que é uma forma de matar. Ou mata a si próprio".
Danuza Leão (Cuidado com o amor)

sábado, 6 de setembro de 2008

Hello, Stranger!

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

(The Blower’s Daughter, Damien Rice,
música tema do filme Closer)



Definitivamente, algumas histórias não foram escritas para ter final feliz. Elas devem ser vividas sem expectativa, pelo tempo que durar. Não adianta. Não se coloca reticências numa frase que deve ter um ponto final. Fica estranho, fora de ordem. Não adianta brigar contra a vida ou o destino. Algumas pessoas não nasceram para ficar juntas. Ponto parágrafo.

Tive este pensamento revendo um filme que amo: Closer. A trama mostra a trajetória de quatro pessoas reunidas pelo destino, com Jude Law, Julia Roberts, Natalie Portman e Clive Owen. Desde o início está na cara: Anna (Julia Roberts) e Dan (Jude Law) não serão felizes juntos. Paixões arrebatadoras, que levam a ações inconseqüentes, que nos tiram do prumo, não costumam resultar em finais felizes. É excesso de sentimento, e nada em excesso faz bem.


Por vezes em nossas vidas nos deparamos com esta situação. No fundo, sabemos que não vai dar certo, que seremos magoados, que estaremos destruídos no final da relação, mas como criança teimosa, deixamos as conseqüências de lado e nos arriscamos. Em geral, a coisa acaba exatamente como imaginávamos e temos que catar os cacos no fim. Mas como saber o fim se não arriscarmos?

Apesar da minha natureza racional, costumo me arriscar mais do que deveria. É difícil sentimentos extremos brotarem em mim. Não me apaixono fácil, sou uma pessoa difícil de conquistar. Mas quando eles surgem, apesar de relutar, deixo que a onda me leve. Momentos felizes e finais trágicos; prefiro catar os cacos do que me arrepender pelo resto da vida por algo que não vivi.

Até um tempo atrás ainda estava catando os cacos. Atualmente tenho navegado por mares serenos. Mas nunca se sabe quando vem a paixão. E se ela vier, apesar de louca e descontrolada, é melhor encará-la de frente. Ela irá nos atropelar de qualquer forma, como o carro que atropelou Alice (Natalie Portman), assim que avistou Dan. “Hello, Stranger”.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O que dizem os astros

Segundo Quiroga (Correio da Bahia):






A força do desejo parece irresistível, mas se assim o fosse, você não seria humano, mas animal. Você é um ser humano, diferente dos animais, porque sempre terá ao seu dispor a opção de escolher o que fazer com a tal força dos desejos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Pessoas certas, momentos certos

De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
(Quase nada; Zeca Baleiro e Alice Ruiz)

Como posso me tornar assim tão eu estando com você? Você que apareceu sem aviso, num toque do destino, quando eu menos esperava. Que despertou um sentimento em mim que me eleva e que me acalma. Um sentimento que não sentia há algum tempo, já que meu coração andou me pregando peças que o deixaram em estado de espera.

Andei fechada para balanço. Queria paz em minha vida depois de algumas tempestades e achei que conseguiria isso estando só, fechada como dedos para novas emoções. Ironia achar esta paz em outro sentimento. Você que eu mal conheço e tanta confiança já me passa. Você que me liga do nada, para saber como estou ou pedir opinião sobre um móvel que quer reformar. Você que, como eu, é apaixonado pela liberdade. Que prefere a vida sem amarras, que gosta de velejar ao sabor do vento.

Sua calma me fascina. Sua alegria é contagiante. Seu toque me deixa meio tonta e, ao mesmo tempo, me dá uma sensação de equilíbrio. Não procure entender. Não sei o que espera de mim. Não sei se sente o mesmo que eu. O que sei é que o que tem me dado até agora tem sido importante para mim, e queria te agradecer por ter cruzado meu caminho. Caminhe pelo tempo que quiser...

Sempre acreditei na máxima que pessoas certas em momentos certos podem fazer grande diferença em nossas vidas. É essa a sensação que tenho quando penso em você.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Nalgum Lugar

Desde ontem, depois do almoço, estou com essa música na cabeça. Para cada momento, uma música. Esta traduz bem um certo sentimento que me acompanha agora.
"nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente
além de qualquer experiência,
teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala
como a primavera abre (tocando sutilmente, misteriosamente)
a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado, eu e minha vida nos fecharemos belamente, de repente
assim como o coração desta flor imagina a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala o poder de tua intensa fragilidade:
cuja textura compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha e abre; só uma parte de mim compreende que a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas"
(zeca baleiro, augusto de campos, e.e.cummings)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Pequenas conquistas

Pequenas atitudes podem fazer grande diferença na vida das pessoas. Arrumar um armário, deletar alguns contatos no Orkut ou MSN, comprar um guarda-chuva. Hoje uma pequena atitude mudou todo o meu dia: vir dirigindo de casa ao trabalho.
Faz uns 4 meses que comprei um carro. Minha primeira grande compra. Da marca que eu queria, da cor que eu queria, com os acessórios que escolhi. Enfim, quem o vê sabe que é a minha cara. Mas cadê coragem de rodar com o bichinho?
Tenho carteira há mais de cinco anos, devo confessar que foi um martírio para conseguir tirar. Não pelos exames. Passei na segunda prova prática (fui bem, dizem que a primeira é sempre complicada, pelo nervosismo; a maioria das pessoas que conheço só passou na segunda prova mesmo). Não gosto de dirigir e não tenho paciência para o trânsito de Salvador.
Já dava as minhas voltinhas com ele perto de casa. Fiz uma aventura dirigindo até Villas do Atlântico, num dia de chuva, mas já tem um tempinho. Mas ter dirigido até o trabalho, mesmo com minha mãe do lado, foi para mim algo extraordinário. Um ato de coragem, que mudou todo o meu dia. Sinto-me mais confiante. Precisava desse primeiro passo. Outros virão...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Pensamento do dia

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome".
Clarice Lispector

sábado, 23 de agosto de 2008

Titãs

Na mitologia grega, os titãs simbolizam as forças incontroláveis da natureza (o mar, o fogo, o tempo). Posso dizer que conheci alguns titãs nesta última semana. Em uma visita à Fortaleza, tive noção do que algum incentivo e muita força de vontade podem fazer na vida das pessoas.
Titanzinho. Comunidade localizada em Serviluz, bairro periférico de Fortaleza, próximo às docas. Serviluz é considerado um dos bairros mais violentos da cidade. Estive lá para uma reunião com um grupo de senhoras e jovens que fazem parte de uma das associações de moradores do local.
Já havia visitado aquele lugar. Uma vista magnífica. Em momento algum senti medo por estar ali. A sede da associação ainda estava em reforma, paredes a serem pintadas. Mas a energia do lugar me impressionou. A força das pessoas que ali estavam me contagiou, fez com que eu acreditasse no trabalho que estava desenvolvendo. Isto aconteceu no início de 2007, estávamos na metade das atividades de um programa voltado para a construção de agendas 21 comunitárias.
Retornar foi excitante. Tive um pouco de medo do que iria encontrar. Será que as expectativas foram concretizadas? Será que o trabalho gerou frutos? E os jovens recrutados como voluntários, por onde andariam? Quais os anseios dessa comunidade?
Mais impressionante do que ver os projetos e parcerias que o grupo conseguiu com o programa, foi notar no olhar de cada um a vontade de ir além. Ver nos jovens, com idades muito próximas a minha e que tiveram muito menos oportunidade do que eu, a vontade de crescer, a certeza de podemos fazer a diferença, apesar das dificuldades ou induzidos por elas.
Hoje, os jovens preparam a montagem de uma cooperativa com base nos conhecimentos de informática adquiridos em cursos gratuitos. Pasmem, a cooperativa já possui organograma e gerências definidas! Um grau de organização que algumas empresas de pequeno e médio porte não possuem. Esses jovens são titãs, forças incontroláveis que podem ir muito além do que se imagina.
Senti uma ponta de orgulho. Saber que fiz parte deste programa e que ele trouxe resultados positivos na vida de algumas pessoas. Mas esta visita também trouxe uma grande dose de responsabilidade, ao pensar a continuidade do programa e as expectativas que foram geradas na fase anterior. Um desafio grande.