segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A cegueira by Saramago

Precisava escrever, caso contrário, não conseguiria dormir.

Acabei de ler o romance de Saramago, “Ensaio sobre a cegueira”. Já vi o filme do Meirelles. Fui contra meus próprios princípios de nunca assistir a um filme baseado em um romance antes de ler a obra original. Fiz o caminho contrário e não me arrependo.

Ter visto o filme tornou o livro ainda mais interessante. Óbvio, o diretor fez uso da licença poética para que a obra adquirisse sentido numa outra linguagem. Seria muita pretensão achar que poderia transpor para a tela toda a densidade inerente a uma narrativa escrita. Palmas para Meirelles, admiro muito mais o seu trabalho por entender essa diferença e não querer ser mais do que a obra original.

Mas vamos ao livro. Nunca tinha lido Saramago. E isso causa estranheza a qualquer leitor, por mais experiência que tenha. Uma amiga minha, que também tinha acabado de ler o livro, já havia comentado da dificuldade de leitura. Mas Cris, a falta de travessões e aspas faz todo sentido! É esta ausência na separação de frases e pensamentos das personagens que dão ao romance o seu ritmo, que levam o leitor a encarar aquela situação não como algo singular a um ou outro personagem... mas algo que desestruturou a humanidade.

O livro me afetou muito mais do que o filme. A descrição das cenas de estupro não chega nem perto do que foi mostrado (ou velado) na telona. O jogo de claro e escuro de Meirelles ameniza a dureza das palavras de Saramago. Não há demérito nisso. Fico a imaginar o asco e as ânsias de vômito que seriam provocadas no meio da sessão... um filme precisa se vender, e para isso, a platéia deve assisti-lo até o fim.

De resto, Meirelles captou a essência da história. Não vou repetir aqui o que já escrevi em outro post.

Virei fã de Saramago. Encerro o texto com a frase na epígrafe do livro:

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.

2 comentários:

Livinha disse...

Amanda,
Adorei o Blog...
Criativo como vc...
Segue o endereço do meu, tô começando ainda:
www.textosdalivia.blogspot.com

Cristina Amorim disse...

Amandita, amei suas observações sobre Saramago... Isso dá uma boa sessão de Petropipoca Literário.

Ah, vai rolar uma sessão dessas aqui em casa, no dia 3, a tarde (a crase e o cincunflexo foram abduzidos no meu teclado desconfigurado que não lembro como configura e estou com preguiça de faze-lo). Sim, o tema? As referencias filosoficas de Matrix (se tiver algum livro para trazer, vai ser melhor ainda).