domingo, 19 de outubro de 2008

A juventude e o desespero

Para onde caminha o nosso mundo? Estou em São Paulo esta semana, participando de um encontro sobre Comunicação e Sustentabilidade. Na cidade de concreto, um assunto domina todas as conversas: o seqüestro de duas adolescentes por um outro jovem, ex-namorado de uma das meninas. Saldo da operação policial: o cara preso e as duas meninas feridas, uma delas correndo risco de morrer. (Quando escrevi esse texto, na sexta, 17 de outubro, Eloá ainda estava em coma. Ontem a noite foi declarada a sua morte).

O que passa na cabeça dessa juventude? Às vezes me acho um ponto fora da curva. Ainda sou jovem, tenho 26 anos. Há pouco tempo, saia da adolescência. Tive meus namoricos, meus arroubos, sofri por paixonites, fiz bobagens, discordava sempre dos meus pais... mas nada que colocasse a vida de alguém em risco, ou a minha própria vida em risco. Que desespero é esse desta geração?

Ansiedade, agressividade e pressa são marcas da juventude. Mas parece faltar rumo para esta geração e também limites. Acusar pais de negligência me parece clichê. Minha mãe sempre trabalhou fora, por um tempo em esquema de plantão. Sou filha de pais separados, ou seja, fruto de um casamento mal-sucedido. Meu pai nunca foi um exemplo de presença. Não vou dizer que não tive nenhum trauma, que não sofri por isso ou que não tenho minhas mágoas. Mas nem por isso sai por aí me afogando em drogas, ou desafiando as leis para me auto-afirmar.

E conheço pessoas que tiveram pais muito mais presentes que os meus, que tiveram muito mais oportunidades do que eu tive e que jogaram tudo fora. Seja por rebeldia, ou simplesmente para afastar o “tédio”. Também conheço famílias que não têm recursos, mas nem por isso deixaram de criar seus filhos dentro de princípios éticos. A natureza humana é mesmo imprevisível. O que nos leva a atos de tanta violência, a esse sentimento de autodestruição, essa vontade de atropelar a todos que passam em nosso caminho? Falta de objetivo, falta de sentimentos mais profundos?

Não tenho respostas. Apenas reflito e ainda me choco com esse tipo de situação. Espero me chocar sempre; sinal de que não perdi minha sanidade.

Um comentário:

Unknown disse...

Ah! Essa sociedade hedonista...: "Não posso sofrer um pouquinho porque minha namorada me largou. Se alguém tem que sofrer, que seja ela... à bala!".

O que faltou a esseS jovens durante sua formação foram freios.
O que faltou no final para o rapaz foi um "sniper".