domingo, 12 de outubro de 2008

Mais um dia

Acordou num desses dias como qualquer outro. Desligou o despertador no primeiro alerta. Não queria levantar, a preguiça a abraçava, como sempre. Deu um impulso e já estava no banho para começar mais um ritual matutino.

Café corrido, uma rápida visita às páginas dos principais jornais, atenção ao comentarista da TV. Mais um dia nervoso na bolsa. Nada de novo... o dia realmente prometia ser como qualquer outro.

Desceu à garagem, deu bom dia ao vizinho, pegou o mesmo engarrafamento de todos os dias. Depois de trocar a roupa da Ioga, abriu a agenda do trabalho. Esteve entretida com algumas ligações, mal disse o chefe algumas vezes durante a manhã. Perguntou-se algumas vezes o que poderia ter sido de sua vida se tivesse feito outras escolhas alguns anos antes.

Poderia estar casada e com filhos, pensou ao recordar do ex-noivo, que por vezes ainda pede notícias e alimenta algumas chamas de esperança. Talvez estivesse divorciada, isso sim. Não teria dado certo. Logo afastou este pensamento. O telefone não permite maiores digressões até a hora do almoço.

Havia combinado um almoço com colegas de outros setores, contemporâneas de empresa. Uma estava grávida, a outra planejando o casamento. Estava feliz pelas duas, são pessoas muito queridas. Seu caminho, no entanto, é outro. Atualmente, suas maiores preocupações são a promoção que espera receber e o MBA que será feito pela empresa, no Rio de Janeiro.

Também anda entretida em montar o seu apartamento. Enfim, tomou coragem e tratou de conseguir um canto pra chamar de seu. Ainda estava às voltas com decorações e arranjos no encanamento. Mas era seu canto, algo que almejava. Ainda não era o seu objetivo realizado, mas ali podia ser somente ela, sem cobranças maternas anacrônicas e podendo calar-se sempre que tinha vontade.

Não podia reclamar, estava só por opção. Durante muito tempo dividiu idéias e objetivos com pessoas que passaram pela sua vida. Sabe que teve um grande amor, mas nem sempre grandes amores dão certo. Também já caiu em peças armadas pela paixão; a vida lhe mostrou que todos estão sujeitos a arroubos, mesmo alguém tão racional e pouco sensível. Hoje, prefere amizades sinceras e carinhos furtivos; não tem certeza se está pronta para novas cobranças, algumas dores ou qualquer decepção.

A tarde passa voando, as tarefas consomem suas horas. Uma mensagem para saber se a noite poderia render. Notou que não apenas sua agenda andava abarrotada. Não se pode ter tudo...

Fim de expediente. Mais um engarrafamento. Na quarta, tem que se lembrar de levar a mala para o escritório, o vôo parte às 17h. Um lanche para acompanhar a série preferida na TV a cabo. Recados lidos no Orkut, algumas palavras trocadas no MSN com amigos que estão em outra cidade.

Ligou o despertador. Uma preguiça boa a alcançava. Deitou-se com serenidade. Sentimento de mais um dia vivido. Lembrou-se, como todos os dias, que a felicidade está nas pequenas coisas, que a acomodação do dia a dia pode trazer tranqüilidade, mas estamos sempre em busca de algo mais, mesmo sem saber direito o que.

2 comentários:

o Nobre disse...

Essa mais um dia é otimo. Narrar um dia de forma solta, sem ser aquela coisa diarinho é uma boa forma de cronica.
Quando eu crescer, quero escrever assim.

Luciana Venancio disse...

Amiga...que lindo!!!
Amei...Bjs!!!!