sábado, 6 de setembro de 2008

Hello, Stranger!

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

(The Blower’s Daughter, Damien Rice,
música tema do filme Closer)



Definitivamente, algumas histórias não foram escritas para ter final feliz. Elas devem ser vividas sem expectativa, pelo tempo que durar. Não adianta. Não se coloca reticências numa frase que deve ter um ponto final. Fica estranho, fora de ordem. Não adianta brigar contra a vida ou o destino. Algumas pessoas não nasceram para ficar juntas. Ponto parágrafo.

Tive este pensamento revendo um filme que amo: Closer. A trama mostra a trajetória de quatro pessoas reunidas pelo destino, com Jude Law, Julia Roberts, Natalie Portman e Clive Owen. Desde o início está na cara: Anna (Julia Roberts) e Dan (Jude Law) não serão felizes juntos. Paixões arrebatadoras, que levam a ações inconseqüentes, que nos tiram do prumo, não costumam resultar em finais felizes. É excesso de sentimento, e nada em excesso faz bem.


Por vezes em nossas vidas nos deparamos com esta situação. No fundo, sabemos que não vai dar certo, que seremos magoados, que estaremos destruídos no final da relação, mas como criança teimosa, deixamos as conseqüências de lado e nos arriscamos. Em geral, a coisa acaba exatamente como imaginávamos e temos que catar os cacos no fim. Mas como saber o fim se não arriscarmos?

Apesar da minha natureza racional, costumo me arriscar mais do que deveria. É difícil sentimentos extremos brotarem em mim. Não me apaixono fácil, sou uma pessoa difícil de conquistar. Mas quando eles surgem, apesar de relutar, deixo que a onda me leve. Momentos felizes e finais trágicos; prefiro catar os cacos do que me arrepender pelo resto da vida por algo que não vivi.

Até um tempo atrás ainda estava catando os cacos. Atualmente tenho navegado por mares serenos. Mas nunca se sabe quando vem a paixão. E se ela vier, apesar de louca e descontrolada, é melhor encará-la de frente. Ela irá nos atropelar de qualquer forma, como o carro que atropelou Alice (Natalie Portman), assim que avistou Dan. “Hello, Stranger”.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O que dizem os astros

Segundo Quiroga (Correio da Bahia):






A força do desejo parece irresistível, mas se assim o fosse, você não seria humano, mas animal. Você é um ser humano, diferente dos animais, porque sempre terá ao seu dispor a opção de escolher o que fazer com a tal força dos desejos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Pessoas certas, momentos certos

De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
(Quase nada; Zeca Baleiro e Alice Ruiz)

Como posso me tornar assim tão eu estando com você? Você que apareceu sem aviso, num toque do destino, quando eu menos esperava. Que despertou um sentimento em mim que me eleva e que me acalma. Um sentimento que não sentia há algum tempo, já que meu coração andou me pregando peças que o deixaram em estado de espera.

Andei fechada para balanço. Queria paz em minha vida depois de algumas tempestades e achei que conseguiria isso estando só, fechada como dedos para novas emoções. Ironia achar esta paz em outro sentimento. Você que eu mal conheço e tanta confiança já me passa. Você que me liga do nada, para saber como estou ou pedir opinião sobre um móvel que quer reformar. Você que, como eu, é apaixonado pela liberdade. Que prefere a vida sem amarras, que gosta de velejar ao sabor do vento.

Sua calma me fascina. Sua alegria é contagiante. Seu toque me deixa meio tonta e, ao mesmo tempo, me dá uma sensação de equilíbrio. Não procure entender. Não sei o que espera de mim. Não sei se sente o mesmo que eu. O que sei é que o que tem me dado até agora tem sido importante para mim, e queria te agradecer por ter cruzado meu caminho. Caminhe pelo tempo que quiser...

Sempre acreditei na máxima que pessoas certas em momentos certos podem fazer grande diferença em nossas vidas. É essa a sensação que tenho quando penso em você.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Nalgum Lugar

Desde ontem, depois do almoço, estou com essa música na cabeça. Para cada momento, uma música. Esta traduz bem um certo sentimento que me acompanha agora.
"nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente
além de qualquer experiência,
teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala
como a primavera abre (tocando sutilmente, misteriosamente)
a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado, eu e minha vida nos fecharemos belamente, de repente
assim como o coração desta flor imagina a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala o poder de tua intensa fragilidade:
cuja textura compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha e abre; só uma parte de mim compreende que a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas"
(zeca baleiro, augusto de campos, e.e.cummings)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Pequenas conquistas

Pequenas atitudes podem fazer grande diferença na vida das pessoas. Arrumar um armário, deletar alguns contatos no Orkut ou MSN, comprar um guarda-chuva. Hoje uma pequena atitude mudou todo o meu dia: vir dirigindo de casa ao trabalho.
Faz uns 4 meses que comprei um carro. Minha primeira grande compra. Da marca que eu queria, da cor que eu queria, com os acessórios que escolhi. Enfim, quem o vê sabe que é a minha cara. Mas cadê coragem de rodar com o bichinho?
Tenho carteira há mais de cinco anos, devo confessar que foi um martírio para conseguir tirar. Não pelos exames. Passei na segunda prova prática (fui bem, dizem que a primeira é sempre complicada, pelo nervosismo; a maioria das pessoas que conheço só passou na segunda prova mesmo). Não gosto de dirigir e não tenho paciência para o trânsito de Salvador.
Já dava as minhas voltinhas com ele perto de casa. Fiz uma aventura dirigindo até Villas do Atlântico, num dia de chuva, mas já tem um tempinho. Mas ter dirigido até o trabalho, mesmo com minha mãe do lado, foi para mim algo extraordinário. Um ato de coragem, que mudou todo o meu dia. Sinto-me mais confiante. Precisava desse primeiro passo. Outros virão...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Pensamento do dia

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome".
Clarice Lispector

sábado, 23 de agosto de 2008

Titãs

Na mitologia grega, os titãs simbolizam as forças incontroláveis da natureza (o mar, o fogo, o tempo). Posso dizer que conheci alguns titãs nesta última semana. Em uma visita à Fortaleza, tive noção do que algum incentivo e muita força de vontade podem fazer na vida das pessoas.
Titanzinho. Comunidade localizada em Serviluz, bairro periférico de Fortaleza, próximo às docas. Serviluz é considerado um dos bairros mais violentos da cidade. Estive lá para uma reunião com um grupo de senhoras e jovens que fazem parte de uma das associações de moradores do local.
Já havia visitado aquele lugar. Uma vista magnífica. Em momento algum senti medo por estar ali. A sede da associação ainda estava em reforma, paredes a serem pintadas. Mas a energia do lugar me impressionou. A força das pessoas que ali estavam me contagiou, fez com que eu acreditasse no trabalho que estava desenvolvendo. Isto aconteceu no início de 2007, estávamos na metade das atividades de um programa voltado para a construção de agendas 21 comunitárias.
Retornar foi excitante. Tive um pouco de medo do que iria encontrar. Será que as expectativas foram concretizadas? Será que o trabalho gerou frutos? E os jovens recrutados como voluntários, por onde andariam? Quais os anseios dessa comunidade?
Mais impressionante do que ver os projetos e parcerias que o grupo conseguiu com o programa, foi notar no olhar de cada um a vontade de ir além. Ver nos jovens, com idades muito próximas a minha e que tiveram muito menos oportunidade do que eu, a vontade de crescer, a certeza de podemos fazer a diferença, apesar das dificuldades ou induzidos por elas.
Hoje, os jovens preparam a montagem de uma cooperativa com base nos conhecimentos de informática adquiridos em cursos gratuitos. Pasmem, a cooperativa já possui organograma e gerências definidas! Um grau de organização que algumas empresas de pequeno e médio porte não possuem. Esses jovens são titãs, forças incontroláveis que podem ir muito além do que se imagina.
Senti uma ponta de orgulho. Saber que fiz parte deste programa e que ele trouxe resultados positivos na vida de algumas pessoas. Mas esta visita também trouxe uma grande dose de responsabilidade, ao pensar a continuidade do programa e as expectativas que foram geradas na fase anterior. Um desafio grande.