terça-feira, 19 de agosto de 2008

Signos de ar

Teu toque me acalma. Tua voz, que chega baixa, que quase sussurra, me traz conforto.

Teu toque também me incendeia. Tuas mãos em meu corpo deslizam distraídas. Chegam de mansinho, sem hora marcada, ao sabor do desejo. Sem cobranças, sua mão encosta no meu corpo e tudo pára. Apenas a música que escolhes com todo zelo nos embala. Momentos que são vividos com intensidade. Mais uma vez não há cobranças, saímos sem hora marcada, sabor de desejo saciado.

A saudade é nossa companheira. Alimenta o desejo, torna especiais os momentos em que as mãos se encontram, novamente distraídas. Mesmo longe, me sinto amparada, segura por esse sentimento que não tem nome. E nomeá-lo pra quê? Sentimento deve ser vivido, sem preocupações, na medida em que toma corpo.

A saudade deve ser morta. Assassinada a cada encontro, em que os corpos se encontram distraídos. Papos desconexos, copos largados ao pé da cama. Não há pressa, apenas vontade, apenas desejos e distrações. Depois, ressuscitamos a saudade, para que mais uma vez ela nos faça companhia.

Signos de ar, não poderia ser diferente. A distração nos une. O hoje nos excita. A saudade nos aquece. Sem amarras e sem nós, nossas vidas estão cruzadas. Para onde isso vai levar, pouco importa no momento. O depois fica para depois.

Basta, agora, o toque distraído das nossas mãos.

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