quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Escolhas

Por que é tão difícil escolher? Escolhas sempre foram complicadas para mim, por mais simples que pudessem parecer. E quanto mais opções, mais confusa posso ficar. Como posso explicar? A sensação que tenho é que, escolhendo algo, abdico de uma outra coisa ou caminho que também poderia ser interessante.


Mais complicado fica quando chegamos na tal idade adulta e nossas escolhas podem definir sucesso ou fracasso na vida profissional, qualidade de vida, felicidade ou infelicidade. Passamos a escolher não simplesmente o destino das férias, ir ou não ir numa festa; passamos a escolher o apartamento que queremos comprar, a marca do carro, casar e ter filhos...

Não sou uma pessoa trágica e não acredito que más escolhas possam determinar toda uma vida. Sou adepta à filosofia de que nada é para sempre, que podemos fazer nosso destino, apesar dos acasos e das peças que a vida pode nos pregar. Mas, em alguns momentos, precisamos ter responsabilidade, refletir bem o que queremos para evitar sofrimentos.

Estou numa fase de escolhas importantes. E me acho amadurecida para tomar certas decisões. Acho até que precisei tomar algumas resoluções muito cedo e dei um rumo na minha vida que me proporcionou uma estabilidade que nem todos na minha idade possuem. Falo de estabilidade emocional mesmo. Fiz algumas escolhas erradas também, que me fizeram recuar e aprender lições valiosas. Mas acertei na maioria das vezes e hoje me considero uma pessoa feliz e realizada em vários aspectos da minha vida.

Tenho adiado algumas decisões, mas chega uma hora que não tem para onde fugir. Diante de uma dessas escolhas eu tenho refletido muito. Preciso dar um passo a frente, não para provar nada a ninguém, mas para ter certeza que eu posso, que conquistei a minha independência. Não vai ser fácil, como todas as escolhas em minha vida... mas espero acertar mais uma vez.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Frase do dia

“Dizem que Machado de Assis, antes de expirar, com voz quase desfalecente, disse: ‘a vida é boa’. Eu diria que a vida é uma experiência fascinante e que o fato de estar vivo é um prêmio”
Hélio Pólvora, em entrevista ao Jornal A Tarde (publicada em 14 de setembro de 2008)
A entrevista está muito interessante. Aos que quiserem conferir na íntegra, segue o link: http://www.atarde.com.br/cultura/noticia.jsf?id=961061

domingo, 14 de setembro de 2008

Sobre a cegueira e a humanidade

Boquiaberta. Foi assim que eu estava ao final da sessão de “Ensaio sobre a cegueira”, de Fernando Meirelles. Não li o livro do Saramago, talvez por isso, a minha reação seja um pouco exagerada. Mas o filme me tocou, mexeu comigo de uma forma que há tempos uma fita não mexe. Abalou a minha crença na humanidade.


Cena do filme "Ensaio sobre a cegueira", do brasileiro Fernando Meirelles


Uma epidemia de cegueira atinge uma cidade. Rapidamente, o desespero toma conta das pessoas e faz brotar um instinto de sobrevivência que muitos de nós ignoramos solenemente, devido à rotina pequeno-burguesa que vivemos. Não se trata de viver, mas de sobreviver, algo muito mais visceral, muito mais próximo dos animais, da selvageria. E como podemos ser pequenos e egoístas quando se trata de defender a nossa própria subsistência.

A personagem de Julianne Moore é a ponta de razão que ainda resta naquela sociedade. Única personagem que ainda enxerga, ela vive um dilema terrível. Ela tem a noção exata do que aquelas pessoas se transformaram e é deliberadamente usada por todos, inclusive seu marido. Para mim, uma cena emblemática é aquela em que ela já não suporta mais a situação e cogita sair para tentar encontrar uma cura, já que foi a única que não foi contaminada, e seu marido a impede argumentado o que seria daquele pequeno grupo sem ela. Que se dane o resto da humanidade, o mais importante era aquelas seis ou sete pessoas permanecerem vivas.

Não se trata de julgar o comportamento daquelas pessoas, mas de imaginar que não vivemos nada de muito diferente hoje. Em quantos momentos nos flagramos pensando em nós mesmo e nem nos lembramos do resto da humanidade. Como são raros gestos de solidariedade. Como a barbárie é eminente, camuflada por alguns códigos do chamado pacto social. O ser humano é complexo, capaz dos atos mais vis e baixos, mas também capaz de sublimar dificuldades e ainda ter esperança. Para mim esta foi a grande mensagem do filme.


Agora preciso ler o livro e rever o filme. Oh, natureza crítica que não me deixa.

sábado, 13 de setembro de 2008

Inconstante

Queria não ser uma pessoa tão inconstante. Meu temperamento muda com uma facilidade incrível. Dizem que é o mal que aflige os que nasceram com o Sol em Gêmeos. Se for influência do meu Sol eu ser uma pessoa de lua, nunca vou ter certeza. Mas essa inquietude faz parte de mim e é difícil controlá-la.

Sou realmente esquisita. Posso estar ao lado daquele que eu achei que era meu príncipe encantado e, no dia seguinte, olhar para o lado e me perguntar o que vi em alguém tão sem sal. Começo um curso com a maior empolgação, com a certeza de que fará uma diferença imensa na minha carreira e, na terceira disciplina, não ter o mínimo saco em freqüentar as aulas (Por fim, vou abandonar aquele MBA, decidi hoje de manhã).

Marcar algo comigo num fim de semana é loteria. Mudo de idéia no último minuto, e um sábado que prometia ser cheio de baladas pode se resumir a uma leitura, antes de dormir. Sem o menor arrependimento.

Já fui muito pior, mas confesso que essa inquietude ainda me persegue. Em casa, nos relacionamentos, no trabalho. Não sou afeita a rotinas, compromissos podem me sufocar, novidades me fascinam. Sou cíclica, posso passar um mês em baladas homéricas e, no mês seguinte, mal colocar a cabeça para fora de casa num sábado ensolarado.

Queria ser mais previsível. Acho que seria mais fácil para quem está ao meu lado. Não traria tantos aborrecimentos.

Mas se fosse fácil, não seria eu. E confessem, perderia toda a graça...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Cantinho Escondido

Carlinhos Brown, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Cézar Mendes

"Dentro de cada pessoa
Tem um cantinho escondido
Decorado de saudade

Um lugar pro coração pousar
Um endereço que freqüente sem morar
Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão

Coração não tem barreira, não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho meu canto cativo pra voltar

Eu posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
O meu cantinho há de ir

Dentro... "


Hoje, definitivamente, tudo que eu queria era um cantinho escondido...

Princípios


Se existe uma coisa que me deixa irada é alguém me pedir para ir de encontro aos meus princípios. Sou uma pessoa extremamente racional, não sou fechada a argumentos, não tenho problema em reavaliar minhas idéias. Mas me pedir para jogar fora meus ideais, aquilo que acho certo, isso eu não aceito.

Minha fama de brava já ganhou o mundo. Na família, no trabalho ou entre amigos, todos sabem que sempre defendo meus pontos de vista com firmeza. Sempre sou taxada de chata, por não conseguir ficar calada diante de coisas que ferem a meus princípios éticos. Para o bem ou para o mal, não sei ser de outro jeito.

Devo confessar que ando mais intolerante neste ponto nos últimos tempos. Mas acredito que as coisas chegaram a um limite em nossa sociedade. Vejo pessoas que, por questões financeiras, vendem sua ética. Outras que, em nome do “amor”, atropelam todos os seus princípios. Anulação, omissão... sinto angústia só em imaginar. Não consigo ficar calada... quem me conhece bem sabe disso.

Essa é outra fama que carrego: sempre tenho uma resposta a dar, em todas as situações. Mas, sobre esta fama, eu filosofo na próxima postagem...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ah, o amor...

"Quem ama não mata - não com uma faca ou com um revólver -, mas costuma fazer desaparecer a pessoa que conheceu e por quem se apaixonou, o que é uma forma de matar. Ou mata a si próprio".
Danuza Leão (Cuidado com o amor)