quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Oh, Saudade!

Ai, esta saudade dentro do meu peito
Ai, se ter saudade é ter algum defeito
Eu, pelo menos, mereço o direito
De ter alguém com quem eu possa me confessar
(Saudade da Bahia, Dorival Caymmi)

Hoje acordei meio saudosa. Talvez porque esteja há mais de uma semana longe de casa. Talvez porque o meu ritmo de trabalho ande tão alucinante. Não sei dizer. Por vezes tenho a sensação que ando acelerada demais e não tenho dado atenção às coisas que realmente importam em nossa vida, como família e amigos.
Sinto falta de conversas, de carinhos, de brigas. Ando sempre ausente, perdendo momentos importantes na vida das pessoas que estimo. Já fui apelidada de Gasparzinho por alguns amigos, pois nunca apareço em programas ou festinhas em que a turma se reencontra. Tenho saudade de coisas que não vivi e a sensação de que sempre estou perdendo algo.
Meus avôs estão velhinhos. Sinto que não tenho aproveitado o tempo suficiente ao lado deles. Pessoas importantes em minha vida, que tanto me ensinaram. Minha mãe anda reclamando. Nossas conversas têm se resumido aos rápidos papos no caminho do trabalho e no jantar, quando não tenho aula à noite. Sinto falta das briguinhas com meu irmão; nem para isso temos tempo ultimamente. Minha afilhada está enorme e ainda nem pude ir entregar o presente de seu aniversário.
Tenho saudade e tento correr atrás desses momentos. Preciso expressar com mais freqüência os sentimentos que tenho pelas pessoas queridas. Não é porque estou longe que a preocupação ou carinho são menores. Nunca foi tão claro para mim o quanto é importante os laços familiares e os amigos na vida de uma pessoa. Valorizo estes laços e acredito que ninguém é completo sozinho.
Como disse no início, acordei com saudades. Vou aproveitar o final de semana para abraçar aqueles de que sinto tanta falta. Tô voltando...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Signos de ar

Teu toque me acalma. Tua voz, que chega baixa, que quase sussurra, me traz conforto.

Teu toque também me incendeia. Tuas mãos em meu corpo deslizam distraídas. Chegam de mansinho, sem hora marcada, ao sabor do desejo. Sem cobranças, sua mão encosta no meu corpo e tudo pára. Apenas a música que escolhes com todo zelo nos embala. Momentos que são vividos com intensidade. Mais uma vez não há cobranças, saímos sem hora marcada, sabor de desejo saciado.

A saudade é nossa companheira. Alimenta o desejo, torna especiais os momentos em que as mãos se encontram, novamente distraídas. Mesmo longe, me sinto amparada, segura por esse sentimento que não tem nome. E nomeá-lo pra quê? Sentimento deve ser vivido, sem preocupações, na medida em que toma corpo.

A saudade deve ser morta. Assassinada a cada encontro, em que os corpos se encontram distraídos. Papos desconexos, copos largados ao pé da cama. Não há pressa, apenas vontade, apenas desejos e distrações. Depois, ressuscitamos a saudade, para que mais uma vez ela nos faça companhia.

Signos de ar, não poderia ser diferente. A distração nos une. O hoje nos excita. A saudade nos aquece. Sem amarras e sem nós, nossas vidas estão cruzadas. Para onde isso vai levar, pouco importa no momento. O depois fica para depois.

Basta, agora, o toque distraído das nossas mãos.

domingo, 17 de agosto de 2008

“Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara”

Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
(Samba do avião - Antonio Carlos Jobim)


Adoro Salvador. É o lugar que eu nasci, onde mora a minha família, onde tenho amigos maravilhosos. Onde me criei e onde construi a minha vida. Mas devo confessar: no meu coração, há um lugar especial para o Rio de Janeiro. Não posso dizer que conheço bem a cidade; meus passeios sempre são um tanto restritos ao Rio de Janeiro das novelas do Manuel Carlos (Copacabana, Ipanema, Leblon...).
A cidade pode estar mal cuidada, brutalizada pela violência, desgastada pela correria do dia-a-dia dos cariocas (alguém me diga a grande cidade que ainda não entrou nesse ritmo). Mas como não se encantar com o Pão de Açucar? Só quem passou pelo Aterro e teve aquela visão tem a compreensão do que é a grandeza de Deus, Jah, Gaya, seja lá o nome que se queira dar a essa força que nos proporcionou paisagens tão belas. Melhor acordar e ter esta vista todos os dias.

Foto tirada pelo Luis Augusto pela janela do apartamento em que vive, no bairro de Botafogo (Devo confessar, Luis, tenho inveja de você...)

O Cristo Redentor ao fundo, a abençoar este povo que nasceu, assim como o baiano, para os dias ensolarados. Sentar em Ipanema, tomar uma água de côco (ou um mate) e ver o Morro Dois Irmão ao fundo. E o que falar da vista da Urca? Parece outro mundo, dentro de uma grande capital. Não é à toa que o Rei (Roberto Carlos) montou seu pouso neste recanto da cidade. Os cariocas são privilegiados. Nem vou comentar o belo passeio numa manhã ensolarada de sábado, no Jardim Botânico. Inspirador...


Foto tirada por Luis Augusto, no Garota da Urca

Que falar das noites de ferverção? Tem para todos os gostos. Mas sempre que estou por lá, não perco a chance de ouvir um bom samba. Desta vez, a sugestão foi Escravos da Mauá, Largo da Prainha, centro da cidade. Perfeito para encerrar a semana, numa noite de sexta. Encontrar amigos, tomar uma cerveja, dançar e se divertir.
No Rio me sinto em casa. Como cantou Lenine, “É tanta coisa afim, tanto lá, como cá / Tem Barras, Piedades e Jardins de Alah”. Tenho o Rio como minha segunda cidade. Não afasto a idéia de, quem sabe um dia, mudar para lá. Até esse dia, continuo cantando: “Este samba é só porque / Rio, eu gosto de você”.

Aproveito para agradecer ao meu amigo Luis, que mora no Rio por opção, pelo passeio no sábado. Prometo que da próxima vez eu volto num ritmo mais baiano (rs).

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Na cadência da vida

Minhas lágrimas secaram
Meus tormentos terminaram
Foi uma nuvem que passou
(Argemiro Patrocínio,
cantado por Marisa Monte)


Quero mais da vida. Alegria, leveza, sentimento. Deixar de lado o que me stressa, o que me angustia. Deixar que os acontecimentos e os sentimentos me levem, que as sensações me guiem.

Já admiti em outros momentos que odeio não estar no comando da situação. Mas quer saber? Estou numa fase em que as coisas têm acontecido sem planos, sem amarras e estou adorando esta sensação de ser conduzida.

Mas não confundo este sentimento com acomodação. Nunca estive tão ambiciosa, nunca desejei tanto e batalhei tanto pelas coisas que acredito. As conquistas têm chegado com sabor de conseqüência e merecimento. Sinto estar mais madura a cada dia, mais flexível e menos ansiosa. Estou sabendo aproveitar o que a vida tem me dado de bom, ao mesmo tempo em que me delicio com tudo que conquistei até agora.

Já tive momentos de euforia, de explosão e de depressão. Hoje atravesso a calma e a tranqüilidade que me fazem alegre, contente com o que tenho e esperançosa pelo que estar por vir. Que mistérios me aguardam no futuro? Juro, apesar da minha natureza arredia e complexa, não tenho sofrido com isso e me surpreendo comigo mesma.

Não estou disposta a sofrer. Quero passar pela vida como quem passa num bloco de carnaval, na cadência e no ritmo que os momentos me oferecem. Sem me incomodar com os empurrões, sem pressa, do jeito que vier.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Debutando

Relutei muito para criar este blog. Nunca fui afeita a expor coisas minhas. Mas estou numa fase em que expor sentimentos e opiniões ajudam a me afirmar. Nova fase, novas experiências.

Eis meu cantinho... sintam-se em casa.